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Trump é mais “maduro” que uma ideologia

Depois de um intervalo para concluir seu mestrado, Thiago Schulze volta a escrever ao Mesorregional, agora com o título de cientista político. Confira seu artigo:


“Donald Trump é um líder transacional, não ideológico. Usa discurso ideológico para se eleger, mas governa com foco em resultados.

Independentemente do motivo oficial, os EUA invadiram a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro em uma operação de 47 segundos, com menos de sessenta baixas — a maioria, policiais cubanos. Não houve reação dos 125 mil militares venezuelanos.

Por que cubanos? Ditadores evitam confiar em seus nacionais com medo de golpes palacianos. Idi Amin contratava mercenários estrangeiros; Gaddafi fez várias plásticas, nenhuma com cirurgiões líbios; Saddam tinha dublês que nem falavam seu idioma; Kim Jong-un só confia em chefs de cozinha estrangeiros. Maduro seguiu o padrão em sua segurança pessoal.

Com a operação, surgiram críticas da esquerda mundial, especialmente da brasileira, que chamou a ação de “imperialista”. “É tudo pelo petróleo!”, repetem desde o Iraque — onde, vale lembrar, nenhuma empresa americana ficou com os poços. Na verdade, quem mais se beneficiou nos leilões foram as petrolíferas chinesas. Ainda assim, a narrativa persiste.

Os EUA nunca quiseram o petróleo venezuelano. Apesar de abundante, é do tipo pesado e difícil de refinar (heavy sour crude). Se o interesse fosse energético, a Guiana, com petróleo leve e de alta qualidade (light sweet crude), faria mais sentido.

Desta vez, os EUA não ocuparam um país: prenderam o presidente, mas respeitaram a vice, Delcy Rodríguez — igualmente socialista. Isso mostra que o problema nunca foi o socialismo, nem direitos humanos. Foi o petrodólar.

Desde que os EUA saíram do padrão-ouro em 1971, o dólar passou a depender da aceitação internacional. O sistema dos petrodólares obriga países da OPEP a venderem petróleo em dólar. Quem ameaça isso vira alvo — como Gaddafi, Saddam e agora Maduro.

Lula sugeriu vender petróleo em outra moeda no BRICS, em 07/07/2025. Pouco depois:

Em julho de 2025, o governo dos EUA sancionou o ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky e impôs tarifas adicionais de até 40 % sobre produtos brasileiros, seguidas em setembro pela extensão das sanções à família dele, mas após negociações entre Lula e Trump ao longo do segundo semestre, incluindo redução de tarifas, as sanções foram oficialmente suspensas em dezembro de 2025. Nada disso teve a ver com Bolsonaro. Ideologia, hoje, é teatro eleitoral. Governa quem sabe negociar.

Trump agiu certo? Na visão deste colunista, sim. Fez o que era melhor para seu país. Pode ter ignorado o direito internacional, mas Putin e Xi Jinping também o fazem — um ao invadir a Ucrânia, o outro ao anunciar a reunificação obrigatória de Taiwan até 2027. São líderes que pensam estrategicamente, além da ideologia.

No tabuleiro do poder global, ideologia é só verniz — o verdadeiro jogo é jogado por quem entende de dinheiro, influência e timing. E Trump, goste-se dele ou não, demonstrou ser mais “maduro” do que pensávamos, sabendo mover as peças melhor do que muita gente que finge jogar.”

Sou Thiago Schulze, cientista político e colunista de política no Mesorregional e você pode me seguir no Instagram em @thiago.schulze ou enviar sugestões para o e-mail politica@mesorregional.com.br. E ainda, se quiser ser avisado sobre novas publicações em primeira mão, clique aqui e entre no Grupo de Whatsapp, é grátis!

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