Uma semana após operações do GAECO, ACIB publica nota de repúdio e silêncio de outras entidades chama atenção
Somente uma semana após a deflagração da Operação “Ponto Final”, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), a Associação Empresarial de Blumenau (ACIB) resolveu se posicionar oficialmente sobre os fatos que vêm abalando os bastidores políticos e empresariais da cidade.
A manifestação pública da entidade empresarial ocorre em meio à repercussão crescente das investigações que apuram supostos esquemas de cartel, direcionamento de licitações, corrupção e superfaturamento de contratos públicos envolvendo empresários, agentes públicos e contratos milionários ligados à Prefeitura de Blumenau e municípios da região.
O que mais chamou atenção nos bastidores políticos e empresariais, porém, não foi apenas o teor da nota divulgada pela ACIB, mas principalmente a demora da manifestação e o silêncio de outras entidades representativas até o momento.
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A ACIB afirmou, em nota, que manifesta “veemente repúdio” diante das informações reveladas pelas investigações conduzidas pelo Ministério Público de Santa Catarina e pelo GAECO.
Segundo a entidade, os fatos investigados representam grave afronta aos princípios que construíram a história econômica de Blumenau.
No texto, a associação destaca que a cidade foi construída “com trabalho, honestidade e perseverança” e afirma que as suspeitas investigadas não podem comprometer a imagem da maior parte do empresariado blumenauense, formada por empresas sérias e responsáveis.
A entidade também citou os números já mencionados durante as coletivas do Ministério Público, incluindo os contratos superiores a R$ 560 milhões analisados nas investigações e os desvios estimados em aproximadamente R$ 117 milhões entre propinas, superfaturamentos e aditivos irregulares.
Outro ponto forte da manifestação foi o reconhecimento explícito da atuação do Ministério Público e do GAECO.
A ACIB afirmou defender que todos os fatos sejam apurados “com rigor, transparência e responsabilidade”, além de cobrar aprimoramento dos mecanismos de controle e transparência em licitações públicas.
Apesar da manifestação, a demora da nota passou a gerar comentários nos bastidores políticos, empresariais e até mesmo jurídicos da cidade.
Isso porque desde a deflagração das operações, Blumenau vive uma das maiores crises político-administrativas recentes, com ex-secretários municipais, empresários e agentes públicos sendo alvo de buscas, medidas cautelares, tornozeleiras eletrônicas e afastamentos de funções públicas.
Mesmo diante da gravidade das investigações e da dimensão dos valores envolvidos, poucas entidades representativas haviam se manifestado publicamente até agora.
Nos bastidores, empresários também acompanham com preocupação os impactos das operações sobre a imagem institucional da cidade, especialmente diante da forte ligação histórica de Blumenau com empreendedorismo, indústria e desenvolvimento econômico regional.
A nota divulgada pela ACIB também procura justamente separar a imagem do empresariado tradicional da cidade dos investigados apontados nas operações.
O texto afirma que a entidade continuará ao lado da “Blumenau de verdade: trabalhadora, honesta e irredutível”.
As investigações conduzidas pelo GAECO seguem em andamento e tramitam sob sigilo parcial judicial. Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos apurados nas operações “Ponto Final”, “Sentinela” e “Arbóreo”.
