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MPSC denuncia 14 pessoas por integração a organização criminosa neonazista com atuação interestadual

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) formalizou denúncia criminal contra 14 pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa neonazista com ramificações em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A ação penal foi proposta pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital no final da tarde de segunda-feira (15/06) e aguarda a análise do Poder Judiciário para o recebimento e início regular do processo.

Dos 14 denunciados pelo crime de organização criminosa, oito também foram imputados pelos delitos de racismo e apologia ao nazismo. Conforme os elementos descritos na peça acusatória, o grupo possuía divisões de funções delimitadas: a chefia era exercida por um indivíduo apontado como líder principal, auxiliado por um subordinado direto. Entre os membros com funções específicas, foram identificados uma escrivã da Polícia Civil do Estado de São Paulo, um Policial Militar paulista e um advogado, que além de compor a organização atuava na prestação de assessoria jurídica ao grupo. Os demais nove denunciados exerciam funções operacionais de menor escala.

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O procedimento investigatório criminal foi conduzido em cooperação entre a 39ª Promotoria de Justiça (com atribuição para o enfrentamento de organizações criminosas) e a 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital (voltada ao combate de crimes de racismo e intolerância). Os órgãos contaram com o auxílio operacional do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio de sua ala de inteligência tecnológica, o CyberGAECO.

Os indícios que fundamentam a denúncia foram colhidos a partir da Operação Nuremberg, deflagrada pelo GAECO em 31 de outubro de 2025. A apuração demonstrou que a associação possuía caráter estruturado, estabilidade temporal, liderança definida e regulamentos internos direcionados à prática de infrações penais motivadas por intolerância racial, política, religiosa e sexual, além da difusão da ideologia supremacista.

As evidências apontam que os integrantes se autodeclaravam neonazistas e utilizavam como identificação visual o símbolo do “Sol Negro” — insígnia ligada ao ocultismo nazista — modificado com a inclusão de um fuzil AK-47 na região central. De acordo com os documentos apreendidos, a representação gráfica sintetizava a ideologia de supremacia branca e a legitimação do uso da força física.

A estrutura interna contava com mecanismos formais de controle administrativo e financeiro, tais como:

  • Preenchimento de fichas de ingresso para controle cadastral;
  • Realização de atos formais de “batismo” para novos integrantes;
  • Confecção e distribuição de camisetas exclusivas de uso restrito;
  • Instituição de mensalidades obrigatórias, cujos valores arrecadados subsidiavam a compra de materiais de propaganda e despesas logísticas.

No ambiente digital, os acusados operavam por meio de perfis falsos e fóruns restritos, canais utilizados para a produção e distribuição de material ideológico de ódio. Com o objetivo de evitar a identificação pelas autoridades de segurança pública, a liderança fornecia manuais e orientações de segurança digital e operacional, visando ocultar o vínculo entre os membros e apagar vestígios telemáticos.

No âmbito presencial, o grupo realizava reuniões periódicas para traçar estratégias de recrutamento e planejar os chamados “rolês”, termo técnico utilizado pelos denunciados para classificar incursões planejadas em vias públicas. Essas ações consistiam em patrulhamentos urbanos voltados à localização, perseguição e agressão física de indivíduos de grupos antagônicos. Para subsidiar tais atos, os investigados elaboravam dossiês detalhados com dados pessoais de potenciais alvos de retaliação.

Foto: MPSC/Divulgação

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