Indígenas militantes fazem manifestação contra visita de Jorginho Mello na Barragem de José Boiteux
A visita do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), às obras da Barragem de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí, foi marcada por um protesto de lideranças indígenas na tarde desta quarta-feira (8).
Considerada uma das principais estruturas de contenção de cheias do Vale do Itajaí, a barragem está localizada em uma área de reserva onde vivem comunidades indígenas das etnias Xokleng (Laklãnõ), Guarani e Kaingang.
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Durante a agenda, que incluiu entrevistas à imprensa e acompanhamento do andamento das obras, houve um desentendimento entre o governador e integrantes da comunidade indígena, alguns deles identificados como militantes partidários que já participaram de campanhas eleitorais de partidos de esquerda.
Em determinado momento da discussão, Jorginho Mello afirmou que uma cacique pretende disputar as eleições deste ano e sugeriu que as manifestações também buscariam dar visibilidade às reivindicações da comunidade.
Indígenas cobram promessas e estudos ambientais
As lideranças indígenas, por outro lado, afirmam que a manifestação teve como objetivo cobrar compromissos assumidos anteriormente pelo poder público.
Entre as principais reivindicações estão:
- a construção de moradias prometidas às comunidades;
- a construção de uma ponte para melhorar o acesso às aldeias;
- a realização de estudos sobre os impactos ambientais e sociais provocados pelas obras da barragem.
A principal participante da discussão declarou que não aceita o avanço das obras sem que sejam realizados levantamentos técnicos sobre os efeitos da intervenção para as comunidades indígenas que vivem na região.
Histórico de conflitos
O episódio ocorre em meio ao avanço das obras da Barragem de José Boiteux.
Durante as enchentes registradas recentemente no Vale do Itajaí, indígenas chegaram a impedir o acesso de técnicos responsáveis pelo fechamento das comportas da estrutura.
Na ocasião, foi necessária a atuação da Polícia Militar para garantir a entrada das equipes, havendo uso da força para liberar o acesso à barragem.
Obra é considerada estratégica
A Barragem de José Boiteux é considerada estratégica para reduzir os impactos das enchentes em dezenas de municípios do Vale do Itajaí.
Enquanto o Governo do Estado defende a continuidade da obra por entender que ela é essencial para a proteção da população contra grandes cheias, as comunidades indígenas reivindicam que os trabalhos respeitem seus direitos constitucionais e sejam acompanhados de estudos que avaliem os impactos ambientais, sociais e culturais da intervenção.
