Operação Gaiola Digital: Gaeco combate esquema milionário em munícipios
Na manhã desta quinta-feira (09/07), as forças de segurança de Santa Catarina deflagraram a Operação “Gaiola Digital”. A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), tem como objetivo desarticular uma suposta organização criminosa especializada na prática de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e diversos crimes contra a Administração Pública.
Com autorização do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), as equipes estão nas ruas cumprindo 17 mandados de busca e apreensão. Os alvos da operação incluem residências e a sede de uma empresa de tecnologia investigada. As diligências ocorrem nos municípios de Blumenau (onde a empresa está sediada), Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani.
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A investigação é liderada pelo Núcleo de Forças-Tarefa da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Os trabalhos começaram a partir de informações cruciais obtidas por meio de acordos de colaboração premiada firmados durante a Operação “Et Pater Filium”, sendo posteriormente validados por um vasto conjunto de provas.
Segundo o MPSC, o núcleo investigado montou um esquema altamente estruturado voltado ao direcionamento de licitações. O objetivo era garantir contratos milionários de sistemas de gestão pública em várias prefeituras de Santa Catarina. O método criminoso envolvia a aproximação prévia com agentes públicos, a inserção de cláusulas restritivas nos editais para eliminar a concorrência e o uso de critérios técnicos forjados para favorecer a empresa escolhida. Além disso, o grupo realizava o pagamento de vantagens indevidas (propina) para obter e renovar os contratos.
As investigações revelam uma organização com forte divisão de tarefas. Havia núcleos específicos para articular os contatos políticos, elaborar documentos técnicos fraudulentos e operacionalizar os pagamentos ilícitos. Para ocultar a origem e o destino dos recursos, os investigados praticavam a lavagem de dinheiro utilizando saques fracionados e operações financeiras que formavam um “caixa clandestino”. Apenas no período analisado, entre 2022 e 2026, foram identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial, somando milhões de reais.
O cumprimento dos mandados nesta quinta-feira visa a coleta de documentos, equipamentos eletrônicos e registros digitais que ajudem a elucidar o caso e a preservar as provas. O nome da operação, “Gaiola Digital”, faz referência direta ao ambiente tecnológico usado para perpetuar a fraude, “capturando” e restringindo a livre concorrência nos processos licitatórios de sistemas informatizados. O caso segue sob rigoroso sigilo judicial.
Foto: Reprodução/MPSC
