URGENTE: Mendonça tira sigilo e leva ao plenário do STF novos elementos sobre suposta rede ligada a Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (1º) o levantamento do sigilo de uma nova frente da investigação relacionada à Operação Compliance Zero e afirmou que os elementos recentemente apresentados pela Polícia Federal deverão ser analisados pelo plenário da Corte.
A decisão consta da Petição 16.662, aberta após a PF apresentar informações atualizadas sobre uma suposta “rede de monitoramento e influência” que teria sido gerenciada por Daniel Bueno Vorcaro.
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O conteúdo específico dos novos documentos entregues pela Polícia Federal não foi reproduzido no despacho tornado público. Mendonça informa, porém, que recebeu uma nova Informação de Polícia Judiciária, acompanhada de quatro documentos, e que, após uma análise preliminar, considerou que os elementos justificavam tramitação própria.
PF investiga suposta rede de monitoramento e influência
No despacho, Mendonça recupera elementos anteriores da investigação e registra que a Polícia Federal apresentou indícios de que Vorcaro teria estruturado uma rede com “potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República”.
Segundo a hipótese investigativa relatada no documento, essa estrutura poderia permitir a obtenção de informações sigilosas capazes de orientar decisões e estratégias do grupo investigado, além de tentar dificultar a atuação de autoridades responsáveis por investigações e fiscalizações.
Parte desses indícios surgiu da análise técnica do telefone celular apreendido com Daniel Vorcaro.
A PF encontrou diálogos mantidos pelo investigado com uma pessoa que o próprio despacho descreve como “até então, não identificada”. Na avaliação da autoridade policial, as mensagens indicariam que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre investigações criminais e apurações conduzidas pelo Banco Central.
A hipótese da PF também aponta que Vorcaro teria buscado intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios. O despacho de Mendonça, entretanto, não identifica nominalmente quem seria o interlocutor das conversas reproduzidas pela investigação.
Novas informações foram separadas da investigação original
Diante do avanço das apurações, Mendonça solicitou aos responsáveis pela Compliance Zero informações atualizadas, especialmente sobre a identificação dos integrantes dessa suposta rede.
A Polícia Federal respondeu com a Informação de Polícia Judiciária IPJ-A nº 3298613/2026, acompanhada de quatro documentos.
Depois de uma análise preliminar, o ministro determinou que esse material fosse retirado dos autos originários e transferido para uma petição autônoma, dando origem à PET 16.662. Na sequência, abriu vista para manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Mendonça diz que caso inevitavelmente chegará ao plenário
O ponto de maior repercussão da decisão está justamente no destino dado pelo relator aos novos elementos.
Mendonça afirmou que, independentemente da manifestação que venha a ser apresentada pela PGR, o “caminho inevitável” dos autos leva ao plenário do Supremo, que deverá analisar as novas informações apresentadas pela Polícia Federal de maneira, segundo ele, “técnica e estritamente jurídica”.
O ministro também estabeleceu que a discussão deverá ocorrer presencialmente e de forma pública. A data ainda deverá ser definida pelo presidente do STF.
Ao retirar o sigilo, Mendonça fundamentou sua decisão no princípio constitucional da publicidade dos julgamentos e argumentou que o segredo não pode prevalecer quando prejudicar o interesse público à informação.
Apesar da repercussão das informações já conhecidas sobre a Compliance Zero, o despacho divulgado nesta terça-feira não revela quem são as pessoas eventualmente identificadas nos quatro novos documentos apresentados pela Polícia Federal, nem antecipa qual providência será submetida aos demais ministros.
Confira o despacho na íntegra:
Foto: Carlos Moura / SCO/STF
