Literatura, jornalismo e teatro marcam a celebração do Dia Municipal do Escritor em Blumenau
A celebração do Dia Municipal do Escritor em Blumenau, neste 29 de setembro, põe em evidência a trajetória do escritor Marcello Ricardo Almeida. Ele foi um dos fundadores da Academia de Letras Blumenauense, criada em 1º de novembro de 1999, onde ocupou a cadeira número 1, dedicada ao patrono Luiz Delfino, e atuou como o primeiro diretor-presidente da instituição.
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A própria criação do Dia Municipal do Escritor no calendário oficial da cidade ocorreu a partir de uma proposta encaminhada pela entidade sob sua liderança. Formado em Ciências Jurídicas pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), Marcello combinou a carreira no Direito com a atuação na imprensa e na produção cultural do município.
Na comunicação, trabalhou como repórter do Jornal de Santa Catarina na segunda metade da década de 1980, período em que atuou na redação ao lado de profissionais da imprensa regional. Essa vivência no jornalismo diário serviu de base para sua escrita observadora, influenciando a criação de contos, ensaios e obras analíticas.
Sua produção como escritor e dramaturgo abrange dezenas de títulos e peças teatrais. Entre as obras publicadas estão “Que Achas do Padre Beber em Serviço?”, “O Dente Cariado de MonaLisa”, “A Ignorância do Estudante”, “Uma Teoria do Paradoxo” e “Ein Prosit, Dionísio! Aspectos Míticos da Oktoberfest”. Ao longo da carreira, recebeu premiações no concurso de dramaturgia SESC/FURB (1990), no Concurso Nacional de Dramaturgia Wladimir Maiakovski (1993) com a peça “Morcegos Humanos” — adaptada em quadrinhos pela Editora da FURB — e no concurso “O Advogado e a Literatura”, promovido pela OAB em 1999.
No setor teatral, Marcello é filiado desde o início da década de 1980 à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), no Rio de Janeiro, entidade que mantém obras de sua autoria em catálogo, como “A Fila do INPS”. Em 2002, a Revista de Teatro da SBAT publicou a peça “Debaixo da Ponte”, cujo registro da edição nº 513 é mantido pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Sua dramaturgia também registrou apresentações no exterior por meio de grupos locais que utilizaram o método Teatro Feijão com Arroz, desenvolvido por Marcello. A peça “Quem Má Cama Faz, Nela Jaz” foi apresentada em Córdoba, na Argentina, em 1990; “Ladrão-de-Galinhas” foi encenada em Santiago, no Chile; e “A Fila do INPS” foi apresentada em Nova York, nos Estados Unidos, em 2004.
A ligação com a cultura e com a preservação da memória é herança familiar. Marcello é neto do maestro, compositor e instrumentista José Ricardo Sobrinho, e filho da pesquisadora e escritora Maria do Socorro Farias Ricardo, autora de registros sobre Santana do Ipanema (AL). Entre os irmãos, Morche Ricardo Almeida atuou como historiador e professor, Marcel Ricardo Almeida como escultor e Mércia Ricardo Almeida integrou a formação inicial da Academia de Letras Blumenauense. A convivência no meio intelectual também influenciou a escolha profissional de sua sobrinha, a comunicadora Luá Gorges.
A celebração deste 29 de setembro integra o calendário oficial do município e busca registrar a produção literária local. A trajetória de Marcello Ricardo Almeida permanece como uma das referências no processo de consolidação das entidades culturais, da imprensa e das artes cênicas em Blumenau.
Foto: Divulgação/Reprodução
