Editorial: comunicação, responsabilidade e prioridades na gestão pública de Blumenau
Estamos em tempos de curtidas, visualizações, exposição através das redes sociais, onde até os horários com o melhor engajamento para a publicação de conteúdos são observados para fazê-los, mas números e ser conhecido, nem sempre é sinônimo de positividade, pois ser conhecido, nunca é melhor do que ser reconhecido.
A gestão pública, especialmente em uma cidade do porte de Blumenau, exige equilíbrio, estratégia e, sobretudo, comunicação assertiva. O atual prefeito, Egidio Ferrari (PL), mesmo com pouco tempo de trajetória política, menos de dois anos como deputado estadual e cerca de 17 meses à frente do Executivo, enfrenta um cenário complexo — fruto de problemas acumulados ao longo de décadas e de decisões herdadas de gestões anteriores.
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É fato que os desafios enfrentados hoje pela população blumenauense não nasceram atual gestão. A crise no abastecimento de água, por exemplo, é consequência direta da ausência de planejamento histórico. Da mesma forma, os entraves na manutenção urbana e os reflexos da Operação Carga Oca revelam um cenário administrativo fragilizado, com contratos problemáticos e recursos comprometidos. Situações que não se resolvem da noite para o dia.
Por outro lado, também é necessário reconhecer que governar não é apenas agir — é comunicar bem aquilo que se faz. E é justamente nesse ponto que o atual prefeito precisa urgentemente evoluir.
A recente publicação nas redes sociais, envolvendo a questão da cobrança dos banheiros da rodoviária, escancarou um erro estratégico da sua comunicação. Ao tentar dar uma resposta à população, o prefeito acabou assumindo, ainda que indiretamente, responsabilidades que não são exclusivamente suas, além de abrir espaço para críticas e questionamentos públicos, inclusive por parte da oposição, que escancarou a situação.
Mais do que isso, a escolha de pautas e prioridades também precisa ser melhor calibrada. Em um momento em que a cidade enfrenta desafios estruturais importantes — e até mesmo realiza eventos relevantes, como o lançamento do projeto da marca de Blumenau — a exposição pública do chefe do Executivo em temas pontuais, embora importantes, pode transmitir uma sensação de desalinhamento com aquilo que a população espera como prioridade.
Governar uma cidade com quase 400 mil habitantes exige visão macro, foco estratégico e uma comunicação que traduza isso com clareza e na maioria das vezes isso não se acerta com o foco na busca de likes e views. A população quer soluções, mas também quer confiança. E essa confiança se constrói tanto na execução quanto na forma como as ações são apresentadas.
Egidio Ferrari tem diante de si um desafio legítimo: resolver problemas que não criou, sem poder, muitas vezes, criticar diretamente quem os deixou. Mas isso não pode servir como justificativa para falhas que estão sob sua responsabilidade atual — especialmente na comunicação e na sua condução política.
É hora de ajustar o rumo. Rever estratégias, fazer o “impossível” para mostrar que o discurso está alinhado com a sua prática e, principalmente, priorizar aquilo que realmente impacta a vida das pessoas. A cidade precisa de respostas — e, além da liderança firme de um delegado, uma comunicação coerente e um pouco mais assertiva.
Jefferson Santos
Diretor do Jornal Mesorregional
