Editorial: Os abutres da política: quando o caos vira palanque!
A história política brasileira é pródiga em exemplos de quem se alimenta do caos. São os abutres da política: figuras que não constroem soluções, mas se aproveitam de dores e feridas para se projetarem como supostos salvadores da pátria. Eles surgem nos momentos mais frágeis da sociedade, exploram crises reais ou fabricadas, inflamam sentimentos, espalham versões convenientes dos fatos e condenam adversários antes mesmo de qualquer julgamento. O objetivo nunca foi resolver problemas — sempre foi chegar ao poder.
📲 Clique aqui e faça parte do nosso grupo no WhatsApp
📰 Clique aqui e siga também o Mesorregional no Instagram
A esquerda brasileira é um exemplo disso… dominou essa prática por décadas. Em diferentes momentos da história recente, construiu sua ascensão política explorando o desgaste de adversários, ampliando crises, difundindo narrativas simplificadas e apresentando-se como a única alternativa moral possível. O discurso era de ética, justiça social e defesa dos mais pobres. O resultado, no entanto, revelou-se bem diferente quando o poder foi conquistado.
O país assistiu a uma sequência de escândalos que marcaram profundamente a confiança da população: primeiro o Mensalão, que expôs a compra de apoio político no Congresso; depois a Operação Lava Jato, que revelou um esquema sistêmico de corrupção envolvendo estatais, empreiteiras e partidos; e, mais recentemente, novas crises e suspeitas envolvendo o sistema da Previdência Social e financeiro, como as que orbitam as fraudes em pensões a aposentadorias e o caso do Banco Master, respectivamente, hoje sob questionamentos e investigações que reforçam a sensação de um ciclo que insiste em se repetir. Em todos esses episódios, o discurso moralizante desmoronou diante dos fatos.
Esse último banhou de chorume até mesmo ministros das Suprema Corte, mostrando o quanto o Poder Judiciário também está suscetível ao mecanismo da corrupção no Brasil.
O problema é que a política brasileira não aprendeu com os próprios erros. Agora, surgem novos personagens, travestidos de uma direita supostamente conservadora, que afirmam estar no “outro lado” do espectro ideológico, mas utilizam exatamente a mesma cartilha. Alimentam-se do medo, da indignação e da desinformação. Inflam crises, distorcem fatos, condenam com antecedência, prometem rupturas fáceis e vendem a ideia de que apenas eles podem “salvar o Brasil”.
Mudam os rótulos, mudam as cores (as vezes até parecidas no tom) e os slogans, mas a essência permanece: oportunismo, personalismo e desprezo pelas instituições. Esses novos abutres não buscam fortalecer a democracia, mas capturá-la. Não querem soluções duradouras, mas likes, votos e poder imediato. Aliás, eles não constroem soluções e só aparecem em anos eleitorais.
A sociedade precisa estar atenta. Crises exigem responsabilidade, serenidade e compromisso com a verdade — não gritos, linchamentos morais ou salvadores autoproclamados. Toda vez que alguém cresce politicamente explorando o caos, é preciso perguntar: quem realmente ganha com isso? A história mostra que quase nunca é o povo.
O Brasil, o seu estado, a sua cidade, não precisa de abutres, de esquerda ou de direita, nem do famoso “centrão”. Precisa de líderes que construam, não que se alimentem da destruição.
Jefferson Santos
Diretor do Mesorregional
