Indaial lança aliança para combater evasão escolar e manter jovens na sala de aula
Somente em 2025, a evasão escolar mobilizou intensamente as redes de proteção em Indaial. A rede municipal de ensino, composta por 15 escolas, e a rede estadual, com oito unidades, registraram 620 atendimentos relacionados à evasão. Do total, 423 estudantes conseguiram retornar às salas de aula após a atuação conjunta de escolas, Conselho Tutelar e Ministério Público. Os números revelam a dimensão do desafio e motivaram uma resposta estruturada, preventiva e de longo prazo.
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Diante desse cenário, foi formalizado nesta sexta-feira (23/1) o protocolo interinstitucional do projeto “Futuro na escola – Aliança pelo combate à evasão escolar e qualificação profissional”, iniciativa liderada pelo Ministério Público de Santa Catarina. O ato ocorreu no auditório da ACIDI e reuniu o MPSC, o Município de Indaial, o Governo do Estado de Santa Catarina e entidades representativas do setor produtivo.
O projeto aposta na corresponsabilidade social como estratégia para assegurar a permanência de adolescentes, especialmente entre 16 e 18 anos, na escola, mesmo quando já inseridos no mercado de trabalho. A proposta reconhece a realidade local, marcada pela entrada precoce de jovens no setor produtivo, e busca conciliar educação, qualificação profissional e proteção social.
A Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, destacou que os dados evidenciam uma realidade concreta. “Esses números mostram que a evasão escolar não é um dado abstrato, mas uma realidade que exige respostas estruturadas, contínuas e compartilhadas. Ao garantirmos qualificação, produzimos uma sociedade mais saudável, mais segura e economicamente mais forte”, afirmou. Segundo ela, o protocolo pode se tornar modelo para outros municípios, reforçando que nenhum adolescente deve ser obrigado a escolher entre estudar e sobreviver.
O Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (CIJE), Promotor de Justiça Mateus Minuzzi Freire da Fontoura Gomes, ressaltou que o diferencial da iniciativa está na integração com o setor privado. “Quando vinculamos trabalho e escola, com a credibilidade de parceiros como educação, empresariado e sistema de justiça, conseguimos transformar promessas em realidade e mudar a vida dos adolescentes”, explicou.
A iniciativa nasceu a partir do trabalho técnico da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Indaial, que identificou a necessidade de uma resposta mais robusta diante das situações acompanhadas pela rede de proteção local. Em novembro de 2025, a Promotora de Justiça Patrícia Castellem Strebe conduziu reuniões com representantes do poder público e da iniciativa privada, culminando na formalização do protocolo no Procedimento Administrativo n. 09.2025.00008977-0.
Para a promotora, a evasão escolar está diretamente relacionada à entrada precoce e desprotegida de adolescentes no mercado de trabalho. “Há uma cultura local que aposta muito na inserção dos jovens no setor produtivo. Queremos reverter isso. O protocolo cria condições reais para que o jovem trabalhador permaneça na escola, com acompanhamento e responsabilidade compartilhada”, destacou.
Como funcionará o projeto
O MPSC atuará como articulador institucional, coordenando o diálogo entre os parceiros, acompanhando indicadores educacionais e fiscalizando o cumprimento das ações, com apoio técnico do CIJE.
Ao Município de Indaial, caberá fortalecer a articulação com a rede municipal de ensino, monitorar a frequência escolar e integrar políticas educacionais e de assistência social. O Estado de Santa Catarina participará por meio da rede estadual de ensino, contribuindo com dados, estratégias pedagógicas e acompanhamento dos estudantes.
Já as entidades do setor produtivo, ACIDI e CDL de Indaial, assumem o compromisso de mobilizar empresas locais. As empresas participantes deverão vincular a contratação e a permanência de adolescentes no trabalho à comprovação de matrícula e frequência escolar, além de adotar práticas de responsabilidade social alinhadas aos objetivos do projeto. Entre as ações previstas está a criação do selo “Empresa Amiga da Educação”, como reconhecimento público às boas práticas.
O presidente da CDL de Indaial, Vanderlei Couto, destacou que o comércio local conta com cerca de 214 lojas e mais de 600 adolescentes inseridos no mercado de trabalho. “Já desenvolvemos um trabalho de orientação junto ao empresariado. A iniciativa do MPSC vem para fortalecer esse esforço e ampliar a conscientização de empregadores e trabalhadores”, afirmou.
Para o presidente da ACIDI, Marcondes Moser, o protocolo representa um avanço na integração entre desenvolvimento econômico e responsabilidade social. “Ao apoiar esse projeto, as empresas contribuem diretamente para a formação de jovens mais preparados e com melhores perspectivas de futuro, refletindo positivamente em toda a comunidade”, concluiu.
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
