DestaquesSegurança

Polícia Civil conclui investigação sobre morte do Cão Orelha em Florianópolis

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), a investigação sobre a morte do Cão Comunitário Orelha e os maus-tratos ao Cão Caramelo, ocorridos na Praia Brava, no Norte da Ilha, em Florianópolis. Para chegar à autoria dos crimes, foi formada uma força-tarefa envolvendo diferentes órgãos de segurança do Estado.

📲 Clique aqui e faça parte do nosso grupo no WhatsApp
📰 Clique aqui e siga também o Mesorregional no Instagram

As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), ambas da Capital. Ao final, quatro adolescentes foram representados no caso do Cão Caramelo, enquanto um adolescente teve pedido de internação no caso do Cão Orelha. Além disso, três adultos foram indiciados por coação a testemunha no desdobramento do caso Orelha.

Dinâmica do crime e laudos

O Cão Comunitário Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava. Laudos da Polícia Científica apontaram que o animal sofreu pancada contundente na cabeça, compatível com chute ou objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa. No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária em razão da gravidade dos ferimentos.

Quebra-cabeça investigativo

Para esclarecer a autoria, a Polícia Civil analisou mais de 1.000 horas de filmagens captadas por 14 equipamentos na região, ouviu 24 testemunhas e investigou oito adolescentes suspeitos. Também foram reunidas provas materiais, como roupas usadas no dia do crime (boné e moletom), registros de portaria eletrônica e dados de geolocalização, analisados com software estrangeiro.

O desenrolar dos fatos começou às 5h25, quando o adolescente saiu do condomínio. Às 5h58, ele retornou ao local com uma amiga, ponto que contrariou seu depoimento, no qual afirmou ter permanecido na piscina do condomínio. Imagens, testemunhos e registros de acesso comprovaram que ele estava fora no horário do ataque.

O adolescente viajou ao Exterior no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos e retornou em 29 de janeiro, quando foi interceptado no aeroporto. Na ocasião, familiares tentaram ocultar itens relevantes para a investigação; posteriormente, o próprio adolescente admitiu que já possuía o moletom usado no dia do crime.

Sigilo, ECA e conclusão

Por se tratar de adolescente, a investigação seguiu rigorosamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que impediu prisão e exigiu trabalho técnico minucioso para evitar vazamentos e preservar provas (como celulares). Com a oitiva do autor, realizada nesta semana, a Polícia Civil finalizou os procedimentos e encaminhou o caso ao Ministério Público e ao Judiciário. Diante da gravidade, foi requerida a internação do adolescente, medida equivalente à prisão no sistema adulto.

Com a extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, a Polícia informou que novos elementos poderão corroborar as provas já obtidas e apontar informações adicionais.

Sobre os vídeos

  • Não há vídeo do momento exato da agressão ao Cão Orelha. A imagem que circulou em grupo de porteiros foi apagada, mas recuperada pela Polícia.
  • O vídeo existente refere-se ao Cão Caramelo, mostrando adolescentes levando-o ao mar e arremessando-o para dentro de um condomínio; os envolvidos são diferentes do caso Orelha.

Clique aqui e confira o infográfico da conclusão do inquérito

error: Conteúdo Protegido !!