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12 de setembro: um dia de Democracia

Artigo enviado por Pablo Aragon, acadêmico de Administração e ativista político do MBL (Movimento Brasil Livre):

“Agora não é a hora”. “Criará crises desnecessárias”. “Espere 2022”. “É cedo demais para outro impeachment”. É fácil escolher a cautela num país rico e próspero, mas este não é o Brasil de hoje. 500 mil mortos, a economia estagnada, o caos político, o crime descontrolado. Aos pobres e às classes médias, o preço de viver é cada vez mais pesado. Jair Bolsonaro não é o único responsável por isso, mas ele se tornou um aliado do centrão, e agora protege o sistema que parasita o Brasil. Passividade é o solo fértil onde esse caos cresceu, e a manifestação de 12 de setembro é o rompimento com a indiferença. Ela é um grito de Democracia e liberdade. Outro impeachment é necessário.

Eu cresci no período mais turbulento da história brasileira desde a redemocratização. Eu assisti crises políticas, um impeachment, as prisões de dois ex-presidentes e uma eleição que transformou o país inteiro em um campo de debate ideológico. Assim, como tantos, só queria viver num país desenvolvido e estável, e acreditei que Jair Bolsonaro poderia colocar a nação nesse rumo. Errei em ter esperança? Acho que não. O erro é do Presidente, que traiu a mim e a outros milhões ao sacrificar os valores que o elegeram para proteger sua família. Que repetidas vezes atacou as instituições democráticas. Que praticou o maior estelionato eleitoral da história brasileira.

Entre seus crimes e traições, os piores aconteceram em meio a pandemia: ignorou o conselho de médicos, apoiou tratamentos experimentais que resultaram em morte, trocou repetidamente ministros da saúde por não servirem sua agenda insana. Ativamente evitou vacinas que poderiam ter salvado centenas de milhares, e, possivelmente, compactuou com a corrupção nas vacinas que matou igualmente. Bolsonaro mostrou-se cruel ao ironizar o sofrimento do próprio povo.

Se o morticínio não fosse o suficiente, agora o Presidente se curva ao mesmo centrão que foi eleito para conter. Cede a casa civil para Ciro Nogueira e a presidência da câmara dos deputados para Arthur Lira. Entrega um fundão eleitoral bilionário como pagamento para não se iniciar o processo de impeachment e paralisa reformas que podem ofender as elites de Brasília. Incapaz de qualquer ação para além de garantir a própria sobrevivência, ele não passa de um espectador de seu governo. Nada será perdido com sua remoção da presidência.

Para muitos, pode parecer exagero pedir por outro impeachment tão cedo após o último. Porém, este é o preço da mais profunda reforma política da história do Brasil: A entrada da população na Democracia, antes reservada para as elites e movida por votos de cabresto. É uma experiência dolorosa o nascimento de um derradeiro sistema político do povo para o povo. Agir do contrário, tolerando Bolsonaro e seus aliados do centrão, seria girar a roda da história novamente para o começo. Todo processo de turbulência e crise da década de 2010 apenas terá culminado novamente no ano de 2000. 

A única forma de manter o progresso é não ceder o espaço popular conquistado no congresso nacional. Nossa tribuna é a rua, e todos os deputados terão de ouvir nossa voz no dia 12 de setembro. Uma voz fraca dirá aos senhores em Brasília que Bolsonaro não é tão ruim, que o desejo do povo pode ser ignorado em troca de mais algumas emendas. Caso acredite que Bolsonaro tem sangue em suas mãos, que está disposto a vender milhões para se salvar, é seu dever se manifestar contra o Presidente. O silêncio entrega espaço para o centrão, que busca limitar ao máximo o alcance da democracia. Apenas o peso das massas forçará Arthur Lira a protocolar o pedido de impeachment.

Para isso, qualquer esforço, não importa quão pequeno, é essencial. Conte para amigos e família. Espalhe a data, participe, senão nas grandes cidades, pela internet. Entregue panfletos, pressione políticos federais e regionais. Escreva para influenciadores, compartilhe memes! Alguns poucos segundos de energia, que quando unida será o suficiente para erguer um gigante. Dos desertos e florestas do norte aos pampas e serras do sul, um grande desejo por justiça e esperança é comum a todos os brasileiros. Unidos, novamente, nós iremos às ruas por um país melhor. 

Sugestão de pautas e artigos podem ser enviados para o e-mail contato@mesorregional.com.br com o texto e/ou vídeo, apresentação e dados pessoais do autor, que ainda pode enviar foto (na vertical).

Foto: Roque de Sá / Agência Senado (Ilustração)

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