2.990 pessoas atentaram contra suas próprias vidas no ano passado em Santa Catarina, 603 foram a óbito

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) da Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgou hoje (22) os dados referentes aos casos de tentativa de suicídio e de óbitos por violência autoprovocada notificados em Santa Catarina. No ano passado, 2.990 pessoas tentaram o suicídio, sendo que 603 foram a óbito. Número um pouco maior do que em 2015, quando foram registradas 2.909 tentativas de suicídio e 598 mortes.

O órgão afirma que é necessário conhecer os dados dessa triste realidade para poder desenvolver ações e atitudes para prevenção do suicídio, que é um grave problema de saúde pública.

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Em relação aos casos de tentativa de suicídio, historicamente, as mulheres têm sido maioria: das 2.990 notificações de 2016, 1.972 eram de pessoas do sexo feminino e 1.018 do público masculino. Na faixa etária dessas vítimas, o maior número de casos, de ambos os sexos, esteve entre pessoas de 20 a 29 anos (757), seguido pelos grupos de 30 a 39 anos (709) e o de 40 a 49 anos (511), conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.

Já em relação aos óbitos por violência autoprovocada, o público masculino é maioria: das 633 mortes registradas em 2016, 488 eram de homens e 145 de mulheres. A faixa etária também difere nesses casos. O Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) aponta que a maior parte das pessoas que cometeram suicídio tinha entre 50 e 59 anos (145), seguidas pelo grupo com idade entre 40 a 49 anos (131) e os de 30 a 39 anos (115).

 

Prevenção ao suicídio

A Secretaria de Estado da Saúde reforça que os serviços de saúde devem manter elevado nível de suspeição diante de casos de lesões, envenenamento ou intoxicação que possam se caracterizar como violência autoprovocada. O órgão reforçando o apoio do órgão ao movimento Setembro Amarelo, liderado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).

Em caso de confirmação, a pessoa deve ser acompanhada pelas equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) para acolhimento e, se necessário, ser encaminhada ao serviço especializado em saúde mental (Centros de Atenção Psicossocial). Os serviços públicos de saúde mental de Santa Catarina contam com 99 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em diversos municípios e diferentes modalidades, e mais 23 estão em fase de implantação.

 

Dados Nacionais

Também em alusão ao setembro amarelo, mês de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio, o Ministério da Saúde divulgou, nesta quinta-feira (21), o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil. Um dos alertas é a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 por 100 mil. Também chamam atenção o alto índice entre jovens, principalmente homens, e indígenas. O diagnóstico inédito vai orientar a expansão e qualificação da assistência em saúde mental no país.

O Ministério da Saúde, com base nos dados do boletim, lança uma agenda estratégica para atingir meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de redução de 10% dos óbitos por suicídio até 2020. Entre as ações, destacam-se a capacitação de profissionais, orientação para a população e jornalistas, a expansão da rede de assistência em saúde mental nas áreas de maior risco e o monitoramento anual dos casos no país e a criação de um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. Desde 2011, a notificação de tentativas e óbitos é obrigatória no país em até 24h.

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

 

O diagnóstico registrou entre 2011 e 2016, 62.804 mortes por suicídio, a maioria (62%) por enforcamento. Os homens concretizaram o ato mais do que as mulheres, correspondendo a 79% do total de óbitos registrados. Os solteiros, viúvos e divorciados, foram os que mais morreram por suicídio (60,4%). Na comparação entre raça/cor, a maior incidência é na população indígena. A taxa de mortalidade entre os índios é quase três vezes maior (15,2) do que o registrado entre os brancos (5,9) e negros (4,7).

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é maior entre os homens, cuja taxa é de 9 mortes por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, o índice é quase quatro vezes menor (2,4 por 100 mil). Na população indígena, a faixa etária de 10 a 19 anos concentra 44,8% dos óbitos.

O documento apresenta ainda que, entre os anos de 2011 e 2016, ocorreram 48.204 tentativas de suicídio. Ao contrário da mortalidade, foram as mulheres que atentaram mais contra própria vida, 69% do total registrado. Entre elas, 1/3 fez isso mais de uma vez. Por raça/cor, a população branca (53,2%) registrou maior taxa. Do total de tentativas no sexo masculino, 31,1% tinham entre 20 e 29 anos. Além disso, 58% dos homens e mulheres que tentaram suicídio utilizaram substâncias que provocaram envenenamento ou intoxicação.

Entre os fatores de risco para o suicídio estão transtornos mentais, como depressão, alcoolismo, esquizofrenia; questões sociodemográficas, como isolamento social; psicológicos, como perdas recentes; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica, neoplasias malignas. No entanto, tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado no Sistema Único de Saúde conforme um projeto terapêutico individual.

 

*Com informações Núcleo de Comunicação da Dive e da Agência Saúde

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