O que deixamos quando ninguém está olhando
O jovem Felipe Gabriel Schultze, bacharel em direito e historiador passa a escrever semanalmente ao Mesorregional, trazendo sempre opinião, fatos e curiosidades. Confira a sua apresentação:
Meu nome é Felipe. Sou formado em Direito e tenho na História a minha segunda formação. Aqui, vamos conversar com um pouco mais de tempo sobre as curiosidades e a história de Blumenau, não apenas como registros frios de datas e nomes, mas como histórias vivas que ainda ecoam nas nossas escolhas, nos nossos hábitos e, principalmente, naquilo que transmitimos às próximas gerações.
Porque no fim, mais importante do que o que conquistamos é o que deixamos. E o que deixamos raramente está nos discursos prontos. Está nos gestos simples, repetidos no cotidiano, nos valores que ensinamos sem perceber. Está na forma como reagimos às dificuldades, na maneira como tratamos as pessoas e no tipo de mundo que apresentamos aos nossos filhos.
E isso me faz lembrar de Fritz Müller, figura tão importante para a história de Blumenau e para a ciência. Muito antes de ser reconhecido por suas contribuições, havia um ambiente formador. Seus avós, especialmente seu avô, tinham o hábito de incentivá-lo à observação, à experiência, ao contato direto com a natureza. Não era um ensino formal, mas era profundo. Era uma educação baseada na curiosidade, no questionamento e na liberdade de explorar o mundo.
Quantas vezes subestimamos esse tipo de influência? Quantas vezes acreditamos que educar é apenas orientar, quando, na verdade, é também permitir, estimular e, sobretudo, dar exemplo?
Talvez a maior herança não seja aquilo que ensinamos com palavras, mas aquilo que demonstramos com atitudes. Fritz Müller não se tornou quem foi por acaso. Houve um ambiente, houve estímulo, houve valores sendo transmitidos de forma silenciosa, mas constante.
E isso nos traz de volta à pergunta essencial: o que estamos deixando?
Cada geração é, em alguma medida, um reflexo da anterior. E, ao mesmo tempo, uma oportunidade de transformação. No meio dessa continuidade, nós ocupamos um papel decisivo, ainda que muitas vezes invisível.
