Família perde 27 anos de história em segundos após negligência de construtora em Blumenau
O que deveria ser o porto seguro de uma vida inteira transformou-se em um cenário de ruínas e medo. No final da tarde desta segunda-feira (20), véspera de feriado de Tiradentes, uma residência localizada na Rua Tomé Venera dos Santos, no bairro Escola Agrícola, em Blumenau, literalmente rachou ao meio. O desastre é apontado como consequência direta de uma escavação para a edificação de um prédio no terreno vizinho, expondo a fragilidade de uma obra que, segundo relatos, já apresentava sinais de perigo há meses.
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Para a moradora Karine Clerice, o dano vai muito além do estrutural. Foram 27 anos de história construídos no local, uma herança deixada por seu pai que agora se encontra inacessível. O sentimento de impunidade e a memória sentimental ferida marcam o depoimento da família, que precisou abandonar o imóvel às pressas, deixando para trás todos os móveis e pertences pessoais devido ao risco iminente de desabamento total.
“Foram 27 anos de história… praticamente desde que eu nasci. Foi meu pai que construiu a casa. A gente fica muito triste com isso tudo. Vamos ficar sem casa. Todos os móveis ficaram lá dentro e agora não sabemos o que vai acontecer”, desabafou.
Negligência e omissão
A tragédia quase anunciada revela um rastro de avisos ignorados. A família relata que além de avisar os responsáveis pela obra, desde 2024 busca auxílio das autoridades, incluindo a Defesa Civil, alertando sobre os perigos da escavação profunda abaixo da residência. Cabe destacar que na manhã desta segunda-feira, após a situação atingir um nível crítico, a Defesa Civil do município embargou a obra. O motivo da interdição foi a ausência de um engenheiro identificado e o não comparecimento de um responsável pela construção no local para prestar esclarecimentos.
Com a casa condenada, a família recebeu um termo de desocupação e um homem que se apresentou como responsável pela obra fez um PIX, com uma ajuda de custo de apenas mil reais para aluguel, valor que consideram insuficiente diante da perda total. Optaram, por segurança e apoio emocional, por se abrigar na casa de familiares. Enquanto a construtora não se manifesta de forma efetiva, resta a Karine, a sua mãe e a toda a família a angústia de um processo de indenização que pode levar anos.
Defesa Civil exige reparo e segurança
O Mesorregional buscou contato com a Defesa Civil no final da tarde e prontamente o Secretário da pasta, Cel. Carlos Olímpio Menestrina no atendeu informando que foi exigida a presença de um engenheiro no local e que a obra está embargada até que todos os danos sejam reparados e que se faça a contenção do desbarrancamento.
“Nós já entramos em contato com a construtora e exigimos que tudo seja reparado… não será liberada edificação enquanto as vítimas não serem ressarcidas. Vamos exigir formalmente que um muro de contenção seja feito e que a casa seja reconstruída, antes da retomada da obra do edifício.” afirmou Menestrina.
O coronel ainda afirmou que na quarta-feira (22) após o feriado deve chamar a família, vítima da situação e os responsáveis pela construtora para que possam alinhar o reparo de danos causados. Como não há identificação dos responsáveis pela obra no local, o Mesorregional, não conseguiu até o momento contato com os responsáveis, mas o espaço permanece aberto para manifestações.
Foto: Especial / Leitor Mesorregional
