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Empresas Risotolândia e Orcali estão entre alvos de operações do GAECO em Blumenau

As operações “Arbóreo” e “Sentinela”, deflagradas na manhã desta quinta-feira (7) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), atingem diretamente contratos milionários firmados pela Prefeitura de Blumenau nas áreas de merenda escolar, segurança patrimonial e limpeza urbana.

O Mesorregional apurou que as empresas investigadas são a Risotolândia, responsável pelo fornecimento da alimentação escolar, e a Orcali, ligada aos contratos de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados.

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As investigações são conduzidas pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau e apuram suspeitas de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, direcionamento de contratos públicos e organização criminosa.

Risotolândia é investigada em esquema envolvendo merenda escolar

A Operação Arbóreo investiga suposta manipulação de licitação relacionada ao fornecimento de refeições para a rede pública municipal de ensino. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o esquema envolveria agentes públicos do primeiro e segundo escalão municipal e representantes da empresa Risotolândia.

O contrato investigado foi firmado em abril de 2022 e permaneceu vigente até janeiro de 2025, quando acabou rescindido pela Prefeitura de Blumenau.

As investigações apontam que os envolvidos teriam estabelecido um esquema de pagamento de propina equivalente a 3% sobre os empenhos pagos pelo município à empresa. A estimativa é de que os valores ilícitos tenham ultrapassado R$ 3,6 milhões entre junho de 2022 e dezembro de 2024.

Segundo o GAECO, o grupo monitorava em tempo real os pagamentos públicos. Após a liquidação das faturas, operadores realizavam viagens frequentes até Araucária (PR), cidade onde fica a sede da empresa, para recolher dinheiro em espécie. Posteriormente, os valores seriam redistribuídos em encontros discretos realizados em residências, estacionamentos e supermercados.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Blumenau, Indaial e Araucária.

Orcali é alvo em investigação sobre contratos de segurança e limpeza

Já a Operação Sentinela investiga contratos ligados à empresa Orcali, que atua em serviços de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados.

Segundo o Ministério Público, o esquema teria funcionado entre 2021 e 2024, envolvendo empresários, operadores financeiros e servidores públicos.

As investigações apontam suspeitas de direcionamento de licitações, combinação prévia de preços, exclusão indevida de concorrentes e lavagem de dinheiro por meio de notas fiscais simuladas, depósitos fracionados e empresas interpostas.

Um dos principais focos da investigação envolve a contratação emergencial de vigilância armada e desarmada para unidades escolares após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023.

De acordo com o GAECO, informações sigilosas sobre propostas concorrentes teriam sido compartilhadas antecipadamente, permitindo que a empresa vencedora apresentasse uma proposta estrategicamente calculada para vencer o certame emergencial, cujo valor ultrapassou R$ 9 milhões.

Também houve cumprimento de mandados na Grande Florianópolis.

Operações atingem nomes ligados à antiga gestão municipal

As operações também ampliaram a tensão política em Blumenau ao atingirem pessoas consideradas próximas do ex-prefeito Mário Hildebrandt.

O Mesorregional apurou que receberam visitas dos agentes do Ministério Público e das forças policiais nomes como Cesar Botelho, ex-chefe de gabinete da Prefeitura, e André Espezim, que comandou o Samae e a Secretaria de Comunicação do município, além de ter atuado como secretário-adjunto estadual da Defesa Civil.

Outro ex-integrantes da gestão municipal que também foi alvo de diligências é Cesar Poltronieri, ex-secretário da Fazenda.

Botelho e Espezim já haviam aparecido em uma lista relacionada à quebra de sigilo telefônico que vazou durante a Operação “Ponto Final”, deflagrada anteriormente. Na ocasião, o promotor Marcionei Mendes afirmou que ambos não eram investigados diretamente naquele procedimento, mas apareciam em documentos e fluxos administrativos analisados.

Investigações continuam

Até o momento, o Ministério Público não formalizou denúncias criminais contra os citados na reportagem.

Celulares, computadores, documentos e mídias digitais apreendidos nas operações passarão por perícia técnica da Polícia Científica. O GAECO não descarta novos desdobramentos e futuras fases das investigações.

Foto: Jefferson Santos/Mesorregional

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