Fiocruz nacionaliza produção de terapia celular contra o câncer
O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um salto tecnológico e social neste final de semana com o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), localizada no Rio de Janeiro. A iniciativa viabilizará a fabricação nacional de terapias celulares a preços reduzidos, democratizando o acesso a um dos maiores e mais recentes avanços da oncologia mundial.
O novo complexo permitirá que o tratamento, de altíssimo valor agregado e que na rede privada chega a custar até R$ 2 milhões, seja oferecido de forma totalmente gratuita para a população brasileira. Este tratamento inovador foca em combater diretamente casos específicos de leucemia, linfoma e mieloma. A tecnologia atua recolhendo as células de defesa do próprio paciente, que são modificadas geneticamente em laboratório e, em seguida, reintroduzidas ao corpo, devidamente “reprogramadas” para atacar e destruir as células cancerígenas.
O projeto integra o Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), ligado ao Novo PAC, que já destinou R$ 330 milhões para a iniciativa. Segundo a Fiocruz, o Brasil se consolida como um dos poucos países no mundo capazes de oferecer essa tecnologia de forma acessível, graças à força e estrutura de suas instituições públicas.
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Durante a cerimônia de lançamento, que contou com as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do presidente da Fiocruz, Mario Moreira, um momento de grande destaque foi o encontro com Paulo Peregrino. O paciente, que teve remissão completa de um câncer severo após ser submetido a uma tecnologia semelhante em pesquisa da USP com o Instituto Butantan, ressaltou que a oportunidade de receber o tratamento experimental pelo SUS salvou sua vida quando ele já se encontrava em estado grave e sem condições de arcar com os custos milionários.
Além do polo de terapias celulares, o evento também marcou a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz). Com investimentos na ordem de R$ 370 milhões, o espaço exclusivo concentrará mais de 20 anos de bagagem científica focada no avanço de tecnologias inovadoras para vacinas, fármacos, biofármacos e métodos de diagnóstico, garantindo assim a soberania nacional em saúde. O ministro Alexandre Padilha ressaltou que a instituição “combina inovação, escala e acesso para salvar vidas”.
Paralelamente às inovações laboratoriais, o governo federal entregou 40 veículos do SAMU para 38 municípios do estado do Rio de Janeiro, somando um investimento de R$ 23,3 milhões. A ação, que faz parte do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde, também incluiu a entrega do primeiro micro-ônibus voltado ao deslocamento gratuito de pacientes da rede pública que necessitam viajar mais de 50 quilômetros para realizar sessões de hemodiálise e radioterapia, além de uma ambulância para a cidade de São João de Meriti.
Durante o ato, como forma de valorização da categoria da saúde, autoridades entregaram carteiras profissionais a quatro sanitaristas. Uma delas foi uma homenagem póstuma, entregue às filhas de Sérgio Arouca, histórico sanitarista e ex-presidente da Fiocruz.
Foto: Ricardo Stuckert
