Em média, quase 300 veículos se somam à frota de Blumenau por mês

Por Márcia Pontes, colunista do Notícias Vale do Itajaí:

 

Você, usuário do trânsito, costuma reclamar dos engarrafamentos? Da lentidão? Do pára e não anda do trânsito de Blumenau?  Pois, fica gelinho, porque a tendência é piorar! São os que mostram os números com base no aumento da frota na cidade: de janeiro de 2017 a janeiro de 2018 somaram-se à nossa frotinha exatos 3.533 veículos. Achou pouco? Isso dá uma média de 294 veículos por mês, totalizando 255.686 motorizados na cidade de Blumenau. Destes, 45.950 são motos e motonetas. Se esse trânsito todo se diluísse pelas cerca de 4mil ruas da cidade teríamos algo em torno de 64 veículos por rua, mas, não sejamos ingênuos, pois sabemos que o grosso da frota se concentra mesmo não são nas vias locais, mas nas coletoras, arteriais e na Via Expressa. Com tantos carros e motos se somando à frota a cada mês, as perguntas que não querem calar são: onde e quando vamos parar? Como fazer mobilidade com uma frota desse tamanho?

O reflexo desse aumento de veículos mês a mês nas ruas de Blumenau já estamos sentindo faz tempo! Os veículos estão trafegando em velocidades cada vez menores e não só no horário de pico, ainda que haja motoristas impacientes que abusam da velocidade e da imprudência em qualquer horário. Sobretudo na ida e na “Frida”, isso vai deixando o trânsito mais lento e as pessoas mais irritadas no trânsito; vai aumentando a imprudência porque esse estresse todo vai sendo descontado no pedal do acelerador. Vai aumentando a quantidade de acidentes porque a impaciência leva a distrações e infrações, e, por sua vez, as infrações que deram errado vão se transformando em acidentes.

As obras de mobilidade, não importam quão importantes sejam, assim que forem inauguradas já estarão atrasadas: apenas estaremos abrindo mais rotas e pistas para o engarrafamento. Alarga-se uma rua daqui, outra dali, dá uma apertadinha nas vias, tira vagas de estacionamento acolá porque a única saída para desafogar o trânsito é tentar dobrar a quantidade de pistas de rolamento para dar fluidez aos motorizados.

Lembram-se das faixas exclusivas de ônibus que foram implantadas com a proposta de dar prioridade aos ônibus e diminuir os tempos de viagem? Não é de hoje que já estão sendo abertas a outros tipos de veículos nos horários de pico, e a pergunta que fica é: os tempos de viagem dos veículos de transporte coletivo continuam menores?

Ô coisa mais constrangedora para os gestores do trânsito é tentar organizar alguma atividade no Dia Mundial Sem Carro nessa cidade! Há anos, quem faz alguma ação tímida neste sentido são os ciclistas, tidos por muitos motoristas como os chatinhos que atrapalham o trânsito.

Os discursos também continuam os mesmos e sempre chovendo no molhado: os políticos continuam dizendo que estão fazendo a maior obra de todos os tempos para melhorar a mobilidade na nossa cidade; os técnicos e os especialistas em trânsito continuam se perguntando o que faria o blumenauense deixar o carro em casa e apontam a falta de políticas públicas para o transporte coletivo como a principal causa. Os motoristas continuam dizendo que o relevo da cidade não ajuda, que é tudo muito longe e que sem carro não tem jeito.

Os técnicos do planejamento do trânsito na cidade, então, ah, esses sofrem!  Sem ter mais para onde aumentar a malha viária, mudam o sentido do tráfego, projetam pistas reversíveis, estudam novas sinalizações, projetam ruas mais estreitas para caber mais faixas, mas são sempre taxados de burros pelos motoristas.

Campanhas incentivando a mobilidade alternativa praticamente não se vê em uma cidade em que a cultura é a do motorizado. Tá faltando via! Então, tirem-se os estacionamentos, estreitem-se mais as vias já existentes e vamos abrir mais uma faixa nova. Resumo da ópera: o comerciante não gosta, o motorista reclama que ficou sem lugar para estacionar e a frota continua aumentando. Em agosto de 2017 passaram a circular 459 veículos a mais em relação ao mês anterior; em dezembro foram 432 motorizados a mais em relação a novembro do mesmo ano. Percebem a ciranda, o ciclo vicioso?

Quem sabe, uma frota de ônibus confortável, que se deslocasse com rapidez, em horários certos, com ar condicionado no verão, fizesse muitos motoristas blumenauenses deixarem os seus veículos em casa. Lembram dos microônibus vermelhinhos e que depois ficaram verdinhos? Que paravam em qualquer lugar, com ar condicionado, de passagem mais cara, mas que tinha público cativo? Pode crer que muitos deixavam os seus veículos em casa para andar nesses microônibus.

Tem muita coisa que é da cultura do povo daqui e digo cultura em relação ao modo de  pensar, aos hábitos e aos costumes, tais como: não abrir mão do motorizado, do conforto que os carros de luxo permitem a uma população com poder aquisitivo maior do que em muitas cidades, a cultura de não investir pesado em transporte coletivo, a cultura de racionalizar quando o assunto é o trânsito, e por aí vai enquanto a frota continua aumentando.

No fim das contas, só estamos pagando o preço que toda cidade paga vendo a sua mobilidade cada vez mais cheia de barreiras (inclusive as barreiras atitudinais), cada vez mais lenta, mais difícil, com as ruas cada vez mais cheias de veículos motorizados.

Quando estiver dirigindo o seu veículo e a cidade, lembre-se que neste mês foram 294 veículos novos que se somaram à nossa já inchada frota e que no mês seguinte, e no outro, serão quase 300 veículos a mais.

Ou as pessoas mudam a sua forma de pensar e as suas práticas de deslocamento, da gestão do trânsito, do transporte coletivo e da mobilidade, ou continuarão reclamando no conforto de seus veículos lentos e parados nos engarrafamentos.

 

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