Moção com apelo por mais leitos de UTI gera discussões na Alesc

Uma moção que pede ao Ministério da Saúde a disponibilização de mais leitos de UTI para o tratamento da Covid-19 em Santa Catarina causou polêmica entre os deputados na sessão desta quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa. De autoria do deputado José Milton Scheffer (PP), o documento foi aprovado com os votos contrários dos deputados Jessé Lima e Sargento Lima, ambos do PSL.

Assim que a moção foi lida em plenário, parlamentares saíram em defesa do governo federal, argumentando que os leitos não deixariam abertos por falta de recursos. Favorável ao pedido, Ivan Naatz (PL) disse que o governo federal “tem derramado dinheiro em Santa Catarina, por intermédio do Ministério da Saúde e das emendas parlamentares federais”.

O governador, a secretaria de Saúde e os prefeitos têm que fazer a parte deles”, completou. Segundo Naatz, já há prefeito recusando dinheiro para a Covid, por não precisar de mais recursos específicos para a pandemia.

Jessé Lopes lembrou que recursos já chegaram para Santa Catarina, mas ainda não foram repassados, por exemplo, para hospitais filantrópicos. Ele também ressaltou o envio de EPIs e exames, além de recursos humanos para combate da pandemia. “Todo mundo pode querer mais, mas voto contra porque o dinheiro não cai do céu e o que o Bolsonaro pode fazer, ele está fazendo.”

Kennedy Nunes (PSD), favorável à moção, afirmou que Santa Catarina já recebeu mais de R$ 1,140 bilhão, conforme dados do Portal da Transparência. Para ele, o recurso do governo federal tem chegado rapidamente, mas falta preparo ao Estado para fazer o dinheiro chegar a quem precisa. “Essa manifestação ao ministro da Saúde deveria ser agradecendo ao recurso que entrou e apelando à Secretaria de Estado da Saúde para liberar esse dinheiro.

Para Sargento Lima, há uma fartura de recursos para a Covid. “Esse querer mais [recursos] tem um limite. E nós chegamos a esse limite. E nós precisamos de respostas pontuais, saber aonde estão sendo empregados esses recursos. É hora de parar de pedir e dar explicações dessa verdadeira fortuna derramada.”

O deputado Mauricio Eskudlark (PL) também considerou que os recursos para combate à Covid-19 foram encaminhados por Brasília, mas o governo estadual não está fazendo a sua parte. “Do governo federal, do presidente Bolsonaro, não dá para reclamar.”

Marcos Vieira (PSDB) lembrou que na próxima semana a Alesc realizará uma audiência pública para apurar como os recursos encaminhados para a Covid-19 estão sendo aplicados pelo Estado. “O secretário [Paulo Eli] já disse aqui que não ia faltar recurso para a Covid”, comentou.

O contraponto aos pronunciamentos foi feito pelo presidente da Comissão de Saúde da Alesc, deputado Neodi Saretta (PT). De forma enfática, ele afirmou que a moção tratava de credenciamento de leitos de UTI, que é de competência do Ministério da Saúde, e não de recursos financeiros. “Temos notícias desesperadores de regiões que não têm mais leitos de UTI e a quem cabe credenciar leitos de UTI é o Ministério da Saúde”, disse. “Pelo amor de Deus, precisamos de mais leitos! Como vamos rejeitar moção que pede mais credenciamento de leitos de UTI e tem gente morrendo?”, questionou.

Após a manifestação de Saretta, Eskudlark e Naatz reiteraram que não eram contra a moção, mas ressaltaram que faltava competência ao governo estadual na destinação dos recursos.


Foto: Bruno Collaço / Agência AL

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