Nova fase da Operação Sentinela prende ex-secretário e empresário em Blumenau
O ex-secretário municipal de Blumenau André Ross Espezim da Silva e o empresário Leonardo André de Souza, conhecido como Léo André, da Cuka Filmes, foram presos preventivamente na manhã desta quarta-feira (7), durante a segunda fase da Operação Sentinela.
A prisão de Espezim ocorreu no apartamento onde ele mora, na Rua Nereu Ramos, no Centro de Blumenau. Ao todo, também são cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços de empresas de comunicação em Florianópolis.
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Segundo as informações relacionadas à investigação, um dos focos das novas buscas é apurar se empresas ligadas ao empresário Onor Filomeno teriam sido utilizadas em operações financeiras relacionadas ao suposto esquema.
Até o momento, os fundamentos específicos das prisões preventivas desta nova fase não foram detalhados publicamente.
Clique aqui e confira a coletiva de imprensa do Gaeco.
Investigação envolve contratos da Prefeitura
A Operação Sentinela investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em procedimentos licitatórios e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Blumenau entre 2021 e 2024.
Entre os serviços analisados estão contratos de limpeza urbana, serviços especializados e segurança de escolas e creches.
André Espezim já figurava entre os investigados. Ele ocupou diferentes cargos no alto escalão da administração municipal, incluindo a Secretaria de Comunicação, e é apontado nas investigações como um dos agentes públicos que teriam sido beneficiados pelo suposto esquema.
Já Leonardo André de Souza, proprietário de uma produtora audiovisual de Blumenau, não aparecia anteriormente entre os envolvidos citados nos documentos do Gaeco aos quais a reportagem teve acesso.
Contratos de limpeza e segurança
Segundo elementos atribuídos à investigação do Gaeco, um dos procedimentos analisados envolve a contratação de empresa para a limpeza das escolas municipais.
A Orcali teria vencido a licitação. No período analisado pelo Gaeco, a empresa recebeu aproximadamente R$ 257 milhões da Prefeitura de Blumenau.
As investigações também analisam contratos relacionados à segurança das unidades de ensino. Um contrato emergencial teria alcançado R$ 9 milhões, seguido de um aditivo de R$ 4 milhões. No final de 2023, uma nova licitação teria resultado em um contrato de R$ 42 milhões.
Segundo o Ministério Público, os procedimentos são analisados diante de suspeitas de direcionamento e favorecimento de empresas.
Suspeitas envolvendo Espezim
Uma das linhas da investigação envolve a campanha eleitoral de André Espezim em 2022, quando ele concorreu a deputado federal pelo Podemos e recebeu 15,3 mil votos.
Segundo documentos mencionados na apuração, o Ministério Público identificou conversas nas quais Espezim teria enviado a César Botelho, então chefe de gabinete do prefeito Mário Hildebrandt, um quadro com despesas da campanha.
A investigação aponta que Espezim teria confirmado que os gastos estavam relacionados a uma conta feita com Onor Filomeno e também teria mencionado pagamentos “por fora”. O Ministério Público avaliou o conteúdo como possível indício de irregularidade eleitoral.
As informações fazem parte de uma investigação e não representam condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade do ex-secretário.
Caso da creche
Outro episódio analisado pelo Gaeco ocorreu após o ataque a uma creche de Blumenau, em 5 de abril de 2023.
Segundo documentos citados na investigação, cinco dias depois do ataque, a Prefeitura solicitou orçamentos para serviços de segurança. Mais de dez empresas teriam apresentado propostas, entre elas a Orcali.
O Ministério Público sustenta que a empresa teria concedido desconto e alterado o valor inicialmente apresentado, ficando em condições de vencer o procedimento.
A investigação também analisa conversas entre pessoas apontadas como envolvidas no suposto esquema e possíveis interferências em procedimentos de contratação.
Suspeita de pagamento de propina
No contrato de segurança das unidades de ensino, a investigação estima que, sobre os R$ 56 milhões relacionados ao contrato emergencial, aditivo e posterior licitação, teria ocorrido pagamento de aproximadamente R$ 2,8 milhões em propinas, equivalente a 5% do valor.
Segundo o Ministério Público, a apuração aponta ainda para a utilização de notas fiscais supostamente falsas e pagamentos em dinheiro como mecanismos para movimentação dos recursos.
As suspeitas envolvem ainda César Botelho, apontado pelo Gaeco como possível coordenador do suposto esquema, e Onor Filomeno, que seria responsável por intermediar acordos entre agentes públicos e empresas.
Investigação entra na reta final
O Gaeco investiga a possível existência de uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos, por meio de supostas fraudes em licitações, corrupção e lavagem de capitais.
Com a segunda fase da Operação Sentinela, a investigação entra na etapa final. Os materiais apreendidos deverão ser analisados e poderão resultar em novas diligências.
As prisões preventivas são medidas cautelares e não representam condenação. A responsabilidade criminal dos investigados deverá ser analisada no decorrer do processo, com direito à defesa e ao contraditório.
Fotos: Reprodução / Redes Sociais
