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“Quando as peças não se encaixam”

Artigo de autoria da fundadora da ABLUPAA (Associação Blumenauense de Pais e Amigos dos Autistas), Josiane Menestrina, pré-candidata à deputado estadual pelo MDB:

“A respeito das filas de espera para atendimentos em saúde de crianças e adolescentes, reveladas no relatório oficial encaminhado ao Poder Público, precisam ser encaradas como muito mais do que números. Cada criança aguardando por uma consulta, avaliação ou terapia representa uma janela de desenvolvimento que está se fechando.

Quando falamos de transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, TDAH e outras neurodivergências, o tempo faz diferença. A ciência demonstram que o diagnóstico precoce e o início das intervenções nos primeiros anos de vida estão associados a melhores resultados em linguagem, cognição, autonomia e interação social devido a plasticidade cerebral.

No entanto quanto maior a demora, maiores são os prejuízos e mais difícil se torna reduzir os impactos dessas dificuldades ao longo da vida.

Mas não é apenas a criança que sofre. Existe uma família inteira adoecendo junto. Muitas mães abandonam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos enquanto aguardam atendimento. Nas famílias de baixa renda e, principalmente, nas chefiadas por mães solo, a espera significa escolher entre pagar uma terapia particular ou colocar comida na mesa. O desgaste emocional, financeiro e psicológico é imenso, e estudos mostram que o atraso no diagnóstico também aumenta significativamente o estresse parental.

Garantir acesso rápido ao diagnóstico e às terapias não é um privilégio: é um investimento que reduz custos futuros para o Estado, melhora a qualidade de vida das crianças e fortalece as famílias. Não podemos normalizar filas enormes quando o desenvolvimento infantil não espera, ao contrário, regride.

Falo isso não apenas pelos estudos científicos facilmente verificáveis mas pela realidade de centenas de famílias que acolhemos diariamente e que sabem, na prática, o preço de cada mês perdido.

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