Segurança

Réus são condenados na Operação Mensageiro em Presidente Getúlio

ação penal da Operação Mensageiro, no município de Presidente Getúlio, foi julgada procedente pela Justiça, resultando na condenação de sete réus, sendo um ex-agente público e seis particulares ligados à empresa investigada. Apesar da decisão, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ingressou com recurso para ampliar as penas aplicadas.

O recurso é assinado pela promotora Ana Paula Rodrigues Steimbach, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Presidente Getúlio, e pelos promotores Juliana Degraf Mendes e Renato Maia de Faria, integrantes da força-tarefa da operação.

Segundo o MPSC, a sentença de primeiro grau não considerou circunstâncias agravantes importantes e tratou diversos crimes de corrupção como um único fato, o que resultou em penas mais brandas do que o esperado.

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O ex-agente público, que atuava como Superintendente do Serviço Autônomo de Água, Tratamento e Esgoto, foi condenado a 29 anos e 10 meses de prisão, após receber propinas mensais entre 2018 e dezembro de 2022, que somaram cerca de R$ 382 mil. Além da pena, ele deverá pagar multa civil equivalente a 37,6 salários mínimos, perder os valores recebidos ilicitamente e ficará impedido de exercer função pública por oito anos após o cumprimento da pena.

chefe do grupo empresarial recebeu pena de sete anos e três meses de reclusão, além de multa equivalente a 26 salários mínimos. Já os demais réus foram condenados a penas que variam entre dois anos e cinco meses até seis anos e cinco meses, com multas de um a sete salários mínimos.

No recurso, o Ministério Público sustenta que a Justiça considerou como “neutra” a conduta social dos réus, mesmo havendo indícios de que eles utilizaram cargos públicos, influência, estrutura empresarial e conhecimento técnico para a prática dos crimes, o que, segundo o órgão, deveria agravar as penas.

Outro ponto destacado é que os crimes não tiveram apenas motivação financeira imediata, mas também o objetivo de manter domínio de mercado, eliminar concorrentes e perpetuar o controle sobre contratos públicos, fatores que, segundo o MPSC, devem ser considerados no cálculo das penas.

O órgão também aponta erro na aplicação da chamada continuidade delitiva, que trata vários crimes como um só. Para o Ministério Público, cada pagamento de propina deve ser considerado um crime autônomo, o que aumentaria significativamente a pena total, por meio do chamado concurso material.

Além disso, o recurso questiona a ausência de agravantes para o líder do grupo empresarial, já que a legislação prevê punições mais severas para quem organiza ou lidera esquemas criminosos.

O recurso apresentado pelo MPSC ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), assim como eventuais recursos das defesas dos condenados.

Operação Mensageiro

Operação Mensageiro é considerada a maior investigação contra corrupção já realizada em Santa Catarina. Deflagrada em dezembro de 2022, a operação teve origem em desdobramentos de investigações iniciadas em 2021, revelando um esquema envolvendo prefeitos, agentes públicos e empresários em diversas cidades.

As apurações indicam a existência de uma organização criminosa empresarial que atuava em setores como coleta de lixo, abastecimento de água e iluminação pública, mediante pagamento de propinas para obtenção e manutenção de contratos públicos.

Em agosto de 2025, a operação chegou à sua sexta fase, com novas prisões preventivas e cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes municípios.


Foto: Jefferson Santos / Mesorregional (Ilustração/Arquivo)

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