SUS oferece atendimento psicológico online para mulheres vítimas de violência e mães atípicas
O Ministério da Saúde iniciou a oferta de 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental direcionados a mulheres em todo o país. O serviço gratuito, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), é voltado para vítimas de violência e mulheres que exercem atividades de cuidado não remunerado.
A assistência por videochamada abrange pacientes a partir de 18 anos que vivenciam situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. O programa também contempla mães atípicas e familiares responsáveis pelo cuidado de pessoas com deficiência (PCD), neurodivergentes ou com doenças raras.
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A implementação do serviço ocorre diante do aumento estatístico dos casos de violência e da sobrecarga de trabalho de cuidado. Segundo dados do governo federal, as notificações de violência contra a mulher registradas em serviços de saúde públicos e privados passaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025. Paralelamente, dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres.
O serviço foi estruturado para ser acessado de forma direta, sem a necessidade de apresentação de encaminhamento médico prévio, boletim de ocorrência ou documento que comprove a condição de cuidadora.
O processo de agendamento segue as seguintes etapas:
- O acesso deve ser feito pelo aplicativo Meu SUS Digital (ou pelo site oficial), utilizando o login da conta Gov.br.
- Na plataforma, a usuária deve acessar a aba “Miniapps” e selecionar a opção “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
- A paciente preencherá um formulário online de acolhimento. A equipe de saúde avaliará as informações e fará o contato de retorno em até 24 horas para o agendamento da consulta.
Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h (horário de Brasília).
As consultas possuem duração mínima de 50 minutos. O programa prevê ciclos de até 10 sessões, com possibilidade de renovação, sendo conduzidas exclusivamente por psicólogas mulheres. A proposta do Ministério da Saúde é que a mesma profissional acompanhe a paciente durante todo o ciclo. Após as sessões, caso haja necessidade, a usuária poderá ser encaminhada para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outro serviço da rede presencial.
O teleatendimento é voltado para o acompanhamento psicológico e não substitui o socorro em casos de risco imediato. Em situações de violência consumada ou perigo iminente, as orientações são:
- Polícia Militar: ligar para o 190.
- Samu: ligar para o 192.
- Central de Atendimento à Mulher: ligar para o 180 (atendimento 24 horas).
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde
