A Maçonaria, o imperador e Blumenau
Confira mais um artigo do colunista Felipe Gabriel Schultze, formado em direito e historiador que escreve semanalmente ao Mesorregional, trazendo sempre opinião, fatos e curiosidades. Confira o artigo desta semana:
“Por que Blumenau prosperou quando tantas outras iniciativas de colonização fracassaram? A resposta passa pelo Rio de Janeiro e a Maçonaria.
No século XIX, o Brasil ainda era um Império. E, para um empreendimento distante, cercado por mata fechada, enchentes e enormes dificuldades de comunicação, sobreviver significava chamar a atenção da Corte. Hermann Blumenau compreendeu isso cedo. Mais do que fundar uma colônia, ele soube convencer o governo imperial de Dom Pedro II de que aquele projeto merecia existir. Então, qual a conexão dessas duas personalidades?
A conexão mais interessante não é uma suposta conspiração secreta, mas a rede de relacionamentos e confiança que existia no século XIX. Hermann Blumenau era maçom.
O ponto delicado é que Dom Pedro II não foi um maçom atuante como seu pai, Dom Pedro I. Aliás, durante parte de seu reinado houve até tensões entre o Império, a Igreja e setores da maçonaria na chamada Questão Religiosa.
Então, quando alguém diz que “Blumenau conseguiu apoio porque era maçom”, está simplificando demais a história.
O que se pode afirmar é que Blumenau fazia parte de um ambiente intelectual muito próximo dos ideais defendidos por Dom Pedro II. Ambos valorizavam a ciência, a educação, a imigração qualificada e o desenvolvimento econômico. A maçonaria ajudava a conectar pessoas que compartilhavam essas ideias, mas o apoio imperial veio principalmente porque a colônia entregava resultados concretos.
A maçonaria não construiu Blumenau. Mas ajudou a criar as pontes de confiança entre homens que acreditavam no mesmo projeto de futuro para o Brasil. Dom Pedro II não apoiou Hermann Blumenau porque ambos pertenciam à mesma organização; apoiou porque enxergou naquele médico alemão algo raro no século XIX: alguém capaz de transformar uma ideia em uma cidade. Por isso, quando observamos a história da cidade, a maçonaria aparece menos como uma organização secreta operando nas sombras e mais como uma rede intelectual que ajudou a moldar a visão de mundo de seu fundador.“
