Coluna de Felipe Gabriel: “A origem do nome Florianópolis: homenagem ou medo?”
Confira mais um artigo do colunista Felipe Gabriel Schultze, formado em direito e historiador que escreve semanalmente ao Mesorregional, trazendo sempre opinião, fatos e curiosidades. Confira a sua apresentação:
Poucos se lembram, mas antigamente Florianópolis se chamava Nossa Senhora dos Desterros, um nome que eu acho lindo.
O nome de Florianópolis não surgiu propriamente de um gesto espontâneo, mas de um contexto marcado por temor e imposição. A homenagem a Floriano Peixoto veio quando o poder do Marechal de Ferro se fez sentir também em Santa Catarina. Para muitos, mais do que tributo, o nome carregou o peso do medo.
E talvez justamente por isso o tema do poder encontre aqui uma ironia histórica.
Porque Floriano representava aquilo que hoje se chamaria hard power.

O poder duro. O poder da imposição. A autoridade que não depende apenas de persuasão, mas da capacidade de conter, punir, resistir e afirmar ordem. Num tempo de rebeliões e ruptura, sua resposta foi a linguagem da firmeza.
E essa dinâmica está em toda parte.
Na vida usamos hard power quando sustentamos limites. Quando recusamos ser dobrados. Quando exercemos autoridade para proteger princípios. Quando compreendemos que nem todo conflito se resolve por gentileza.
Um pai usa isso ao impor regras.
Um indivíduo usa isso ao defender sua dignidade.
O hard power pode vencer batalhas, impor obediência e até fundar ordens provisórias, mas raramente resolve aquilo que está na raiz dos conflitos. Não produz reconciliação, não cria legitimidade duradoura, não transforma consciências. A força pode encerrar uma disputa, mas dificilmente encerra o problema.
É justamente aí que emerge a força do soft power. Não a força do constrangimento, mas da persuasão; não a do temor, mas da legitimidade. Valores, cultura, exemplo, diálogo e prestígio frequentemente alcançam onde a coerção fracassa. O que é imposto pode ser obedecido por conveniência; o que convence pode ser incorporado como convicção. E talvez as ordens mais duradouras não sejam as erguidas pela força que domina, mas pela influência que conquista.
