Assistencialismo à Brasileira

Artigo de Thiago Schulze, colunista do Mesorregional:

Considerado o principal programa de combate a desigualdade social no país, o Bolsa Família é um exemplo para diversas organizações mundiais como a ONU, a revista The Economist e o jornal The New York Times. Uma fantástica adaptação do sistema de vouchers, muito conhecido dentro do liberalismo.

A plataforma conseguiu reduzir a pobreza em cerca de 30% utilizando sempre menos de 0,5% do PIB Nacional. O orçamento do programa em 2019, por exemplo, foi de R$ 30,08 bilhões, enquanto nosso PIB alcançou R$ 7,3 trilhões. Infelizmente, nem todo auxílio do Governo Federal tem como objetivo a distribuição de riqueza, algumas tem o efeito contrário, como veremos a seguir.

“Bolsa Empresário” é o nome que atribuo a uma prática abstrata do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que por vários anos foi receita de ricos empresários brasileiros, a maioria deles hoje conhecidos como alvos de fases da Operação Lava Jato.

É um baita negócio, mas só para quem recebe. Basicamente o governo toma um empréstimo pagando 10% de juros ao ano e repassa esse valor ao empresário cobrando apenas 5% de juros ao ano. Adivinha quem paga a diferença? E ela não é pouca não, o custo anual gira em torno de 10% a mais que o custo do Bolsa Família.

Existe ainda a “Bolsa Caixa”, que basicamente se trata dos 8% de salário que cada trabalhador brasileiro é obrigado a emprestar mensalmente à Caixa Econômica Federal para receber em troca um rendimento que corresponde a aproximadamente metade da inflação. Sim, estamos falando do Fundo Garantidor do Tempo de Serviço (FGTS), criado no início do Governo Militar.

Por falar em “homens de coturno”, temos ainda a “Bolsa Militar”, que seriam as tais “pensões”. Custam o mesmo que o Bolsa Família, mas ao invés de atender 14 milhões de famílias, atendem somente 300 mil brasileiros. Dentre essas pensões há o “Bolsa Solteirona”, pagamento feito às filhas dos militares enquanto solteiras. Logicamente acabam nunca casando perante um cartório civil e recebem o valor de maneira vitalícia. Mesmo que o tal benefício tenha sido cancelado para militares que iniciaram a carreira após o ano 2000, ainda pagaremos a pensão até 2040.

Enquanto o Brasil priorizar Bolsas que concentram a riqueza ao invés de distribuir, viveremos em um país economicamente injusto, cuja maioria da população tem poder de compra limitado. Além disso, passaremos a eternidade invejando nações desenvolvidas, que já superaram boa parte de tais premissas.

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