Dia da Consciência Negra – Verdades Inconvenientes

Artigo de Thiago Schulze, colunista do Mesorregional:

Neste dia 20 comemoramos, no Brasil, o Dia da Consciência Negra. A escolha da data foi uma homenagem a Zumbi dos Palmares, falecido neste mesmo dia, em 1695. Homenagem, no entanto, desmerecida, uma vez que faz reverência a um escravista.

Este colunista, adepto convicto dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, famoso lema da Revolução Francesa, pretende desmistificar algumas lendas que envolvem o tema e reverenciar os verdadeiros heróis da abolição da escravidão: os iluministas.

Zumbi dos Palmares não foi abolicionista

Foram os ideais iluministas que clamavam por liberdade, igualdade e fraternidade os verdadeiros responsáveis pela abolição da escravidão no mundo. O primeiro país a acabar com a prática foi a Dinamarca, em 1792, e as primeiras ideias sobre abolição surgiram com o iluminismo, em 1715. Zumbi viveu entre 1655 e 1695 no meio das matas de Alagoas, portanto não faz o menor sentido dizer que ele era um abolicionista. Nunca foi.

Zumbi tinha escravos

Zumbi não só era escravista, como também tinha seus próprios escravos, como afirma o autor Edison Carneiro, na obra “O Quilombo dos Palmares” de 1947. Apenas escravos que chegavam ao Quilombo por sua própria iniciativa e esforço poderiam ali viver como se “livres” fossem, em uma espécie de “máfia afro-brasileira”. Denomino desta forma porque estes “negros livres”, na verdade eram forçados a viver ali, trabalhando com eles, e, se fugissem, eram caçados e mortos pelos quilombos. Não havia real liberdade.

O povoado do Quilombo dos Palmares, comandado por Zumbi, praticava diversos saques em regiões vizinhas e todos os escravos tomados continuavam a ser escravos no quilombo, não eram considerados livres, apenas passavam a ser propriedade do líder do recinto.

Estes saques são descritos na obra Palmares, do autor Flávio Gomes, de 2005, onde ele explica que os palmaristas cobravam tributos dos moradores das vilas e povoados locais e quem não colaborasse era saqueado, perdendo inclusive seus escravos, que eram vistos por todos da região como apenas “mais um bem”.

Quem inventou a falsa história de Zumbi dos Palmares?

Foram historiadores marxistas como Décio Freitas e Clóvis Moura que fizeram de Zumbi o “herói dos negros”. Tentaram de todo modo sugerir a ideia de uma sociedade comunista igualitária, o que de fato nunca ocorreu. Nenhum historiador antes destes supracitados retrataram Zumbi dos Palmares como um herói.

Décio, amigo do ex-presidente João Goulart, foi mais além. Chegou a afirmar ter encontrado cartas comprovando sua história, as quais, de fato, nunca apareceram. O historiador Claudio Pereira Elmir revirou Alagoas inteira por cinco anos na busca das tais cartas, nada encontrou. Zumbi foi um mito criado pelo romantismo marxista.

Blumenau não teve escravos

Nossa cidade foi fundada em setembro de 1850 (data oficial atual) por Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau que, como todo maçom iluminista, era adepto dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, era abolicionista. É possível, entretanto, que Dr. Blumenau, ao longo de sua vida, tenha adquirido algum escravo, até porque o abolicionismo, na época, era algo que nos dias atuais se assemelha muito à luta contra o comércio de vidas animais. Muitos que hoje se posicionam contrariamente a venda de animais de estimação, eventualmente podem, no passado, já ter feito a compra de um. Este mesmo tipo de transformação de consciência ocorreu com escravistas da época que, com a expansão dos ideais iluministas, acabavam se tornando abolicionistas.

A data de chegada dos chamados “primeiros habitantes da Colônia”, quer seja de 02 de setembro de 1850, é, na verdade, a data que chegaram a Desterro (atual Florianópolis). Ainda houve mais uma viagem de Desterro a Blumenau cujo tempo não é contabilizado.

Dois dias depois, em 4 de setembro de 1850, a Lei Eusébio de Queirós, considerada uma das primeiras leis abolicionistas, foi promulgada no Brasil, tendo como objetivo proibir a entrada de escravos africanos no Brasil, portanto seria praticamente impossível que junto aos primeiros habitantes houvesse algum escravo.

Dr. Blumenau, já em sua Proposta de Colonização feita ao Governo Provincial em 1848, considerado seu primeiro ato como governante de nossas terras, apresentou um documento que previa a proibição da entrada de escravos nas terras concedidas pelo governo, a utilização de mão de obra escrava na Colônia e, ainda, proibia que qualquer proprietário de terrenos da colônia fosse dono, ao mesmo tempo, de escravos. Desde o início, Dr. Blumenau deixou expresso, no documento, que lamentava a existência da escravidão e não pactuava com a prática.

Só existe um único documento que trata da vinda de escravos para Blumenau, o qual diz respeito a uma importação promovida por Ferdinando Hackardt, um cidadão de Desterro que já residia nas redondezas antes mesmo da fundação da colônia e da chegada de Dr. Blumenau. Hackardt havia importado 5 escravos africanos para ajudar na construção do barracão inicial dos imigrantes, que daria início à colônia. A compra, entretanto, além de ter sido frustrada na chegada dos negros, que fugiram assim que aportaram e nunca houve qualquer registro de suas capturas, foi também anterior à fundação da colônia, portanto não se pode considerar que eles foram os únicos escravos de Blumenau, pois este nome ainda nem existia oficialmente.

O que se sabe é que a utilização e a posse de escravos nunca foram legalmente permitidas em Blumenau desde que foi fundada, portanto podemos afirmar orgulhosamente que esta cidade nunca teve escravos.

Escravos já tiveram de olhos azuis

Quem pensa que os primeiros escravos eram negros está enganado. Na verdade a palavra “escravo” vem de “eslavos” (isso fica mais claro ao traduzirmos para o inglês). Tal denominação se dá porque durante a Idade Média, os habitantes do leste europeu eram constantemente escravizados por germanos e bizantinos.

Alias, mais de 1 milhão de europeus também foram escravizados por negros africanos entre 1500 e 1800, quando os reinos árabes do norte da África os capturavam no Mar Mediterrâneo, que liga a Europa à África, conforme atesta o historiador americano Robert Davis, na obra “Cristão Escravos, Senhores Muçulmanos”.

Escravos Brasileiros queriam ter seus próprios Escravos

No século XVIII não era nada incomum ver negros com seus próprios escravos no Brasil, alguns até muito abastados financeiramente. Podemos notar isso analisando testamentos da época.

A negra baiana Bárbara de Oliveira, por exemplo, possuiu um testamento realmente ostentador. Em meados de 1760, além de 22 escravos, deixou também diversos imóveis, joias e roupas de seda – uma fortuna milionária na época.

Alias, uma das práticas mais horríveis e que gerava muita revolta na época era a venda de escravos da mesma família para diferentes lugares. A negra forra Luísa Rodrigues pouco se importou com isso ao vender dois, dos quatro filhos de sua escrava Leonor, em 1753.

Os casos de escravos que se tornavam “forros” não eram tão incomuns, principalmente na região das Minas Gerais, onde escravas vendiam doces e refeições para garimpeiros famintos, a mando de seus donos. Sempre que o valor recebido ultrapassava o que seu senhor esperava, estas faziam sua própria “poupança” e, após alguns anos, compravam sua carta de alforria e logo iniciavam uma nova economia, agora para comprar seus próprios escravos.

Conclusão

A presente coluna não tem a intenção de negar os horrores de nossa história. Demoramos, e muito, para abolir a escravidão no Brasil. O que pretendo, na verdade, é desmistificar as lendas que giram em torno desta data e da história da escravidão no Brasil.

Qualquer estudante esperto de primário saberá fazer contas e notará que, se ideias abolicionistas só começaram a existir no Século XVIII, é historicamente impossível que exista um herói abolicionista brasileiro do Século XVII. Ainda mais se tratando de Brasil, onde a abolição demorou tanto a chegar.

Ainda, basta comparar as datas das legislações abolicionistas brasileiras e as específicas locais da Colônia Blumenau com as de nossa fundação, para notar que é legalmente impossível que tenhamos usado mão de obra escrava aqui em nossas terras após a fundação da colônia.

Como sempre, sem variar, idolatramos os ídolos errados, exaltamos heróis que nunca lutaram por causas realmente nobres e praticamos o achismo sem precedentes, este sim uma real cegueira deliberada. Por isso, no Dia da Consciência Negra, não há o que comemorar, mas tão somente lamentar.

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