Diversidades e educação

Na semana passada um assunto tomou conta não somente do cenário político em Blumenau, mas muita gente saiu tecendo comentários sobre a Moção de Repúdio emitida pela Câmara Municipal sobre um evento em uma escola do Estado, agendado para ser promovido no próximo dia 14 e que tocará no assunto ‘ideologia de gênero’. O colunista do Notícias Vale do Itajaí, Ramon Aguiar Benedett demonstra em seu mais novo artigo, sua opinião sobre todo o burburim gerado sobre as ações:

 

O que vimos semana passada em nossa Câmara de Vereadores de Blumenau é o retrato de nosso Brasil. Políticos medíocres e retrógrados e a comunidade representada ao nível das melhores torcidas de futebol. Ninguém queria saber o que o outro tinha a acrescentar, só queriam que seu “time” ganhasse.

Aqui, também contrariando a física, os opostos se repelem. E se repelem com os ouvidos tapados, incapazes que são de escutar o outro lado. Preferem acreditar em sensacionalistas e extremistas a dar voz para alguém que pense um pouco diferente do que acreditam ser o correto. Preferem dar voz a seus medos imaginários a um ser humano que pensa diferente.

Me pergunto como o vereador Marcos da Rosa, presidente de uma instituição como a câmara de vereadores, encaminha uma moção de repudio contra um evento escolar sem nem ao menos saber com clareza do que se trata. Acreditem, ele julgou e repudiou pelo cartaz, mostrando no mínimo falta de responsabilidade com a instituição a qual representa. Estava a ponto de repetir o equivoco mas foi salvo pela agilidade do diretor da escola que o procurou para conversar, trazer mais informações e, quem sabe, encontrar um outro titulo para o curso “Diversidade de gênero e sexualidade: o papel da família, da sociedade e da escola”. Seguindo nossos nobres edis, qualquer menção a diversidade de gênero merece repúdio.

O que se propõe é ensinar pela ignorância? Será mesmo que eles acreditam que diversidade de gênero deve ser debatido somente em casa, pela internet e pela Rede Globo? Adolescentes com 15 e 16 anos não estão preparados para uma palestra sobre diversidade de gênero? Falar, conversar, debater sobre diversidade de gênero é incentivar a mudança de opção sexual? É ser contra a família?

A diversidade está de mãos dadas ao nosso lado. Faz parte mais do que nunca da sociedade que estamos inseridos. Ignorar, se abster, terceirizar, não  parece ser o caminho correto para o respeito e a tolerância que todos desejamos. Um debate transparente, com definições de quando e como devem atuar professores e escolas, mostra-se mais do que necessário para que formemos não apenas ótimos cidadãos e profissionais mas, além de tudo, seres humanos de verdade.

 

Ramon Aguiar Benedett

 

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