Comandante da PM relata falhas graves de vigilantes armados em escolas de Blumenau
A discussão sobre a segurança nas escolas de Blumenau ganhou novos elementos durante a reunião da Comissão de Segurança nas Escolas da Câmara Municipal, realizada após a interrupção dos contratos de vigilância armada nas unidades de ensino.
Ao responder questionamentos do vereador Gilson de Souza (União), o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Heintje Heerdt, fez críticas à atuação da empresa responsável pelo serviço de vigilância armada e relatou situações que, segundo ele, geraram preocupação durante visitas realizadas em escolas do município.
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Durante sua manifestação, o comandante afirmou que entende existir responsabilidade da empresa contratada na formação e fiscalização dos profissionais que atuavam nas unidades escolares. Segundo ele, a empresa possui tradição e estrutura consolidada em Santa Catarina, razão pela qual deveria manter um padrão elevado de treinamento e supervisão dos vigilantes.
“Eu acho que a empresa tem responsabilidade, porque é uma empresa grande, sólida, com uma formação consolidada dentro do Estado”, afirmou quando o parlamentar informou que a responsabilidade da fiscalização deveria ser do contratante.
Vigilante não soube responder como reagiria a um ataque
Um dos relatos apresentados pelo coronel ocorreu durante uma visita realizada em uma unidade escolar.
Segundo ele, ao questionar um vigilante armado sobre qual seria sua reação caso um agressor invadisse a escola, a resposta recebida demonstrou insegurança e falta de preparo para enfrentar uma situação extrema.
O comandante afirmou que o episódio reforçou preocupações já existentes em relação à capacitação dos profissionais que atuavam na proteção das escolas.
Vigilante foi encontrado dormindo
Em outro trecho da audiência, o oficial revelou que, na mesma escola, encontrou um segundo vigilante dormindo durante o expediente.
O relato foi utilizado como exemplo para defender a necessidade de fiscalização constante dos contratos e da efetiva prestação dos serviços contratados.
Segundo o oficial, quando falhas operacionais são identificadas dentro da Polícia Militar, são adotadas medidas administrativas, disciplinares e de aperfeiçoamento dos processos para evitar a repetição dos problemas.
Casos reais envolveram armas dentro das escolas
Heintje Heerdt também lembrou que a Polícia Militar já atendeu ocorrências envolvendo armas e munições dos vigilantes encontradas em unidades de ensino da cidade.
De acordo com ele, os casos não foram relatados por terceiros, mas presenciados diretamente pelas equipes policiais que atenderam as ocorrências.
“A gente teve casos de arma de fogo que foram encontradas por alunos, munição encontrada nas escolas. Eu sei disso, não porque a secretária falou para mim, porque eu fui atender, nós fomos atender essa ocorrência. Então, e aí assim, a gente quer proteger nossos alunos, mas estamos pensando num caso de exceção.”
O Mesorregional também conseguiu apurar que em pelo menos uma escola, um dos vigias se envolveu em atos extraconjugais com profissionais da escola e mães de alunos, o que acabou ocasionando atritos no ambiente escolar.
O oficial ressaltou que, embora ataques em escolas sejam eventos estatisticamente raros, a prevenção continua sendo sempre necessária.
Controle de acesso é apontado como prioridade
Apesar das discussões sobre vigilância armada, o comandante destacou que uma das medidas mais importantes para a proteção dos ambientes escolares é o controle de acesso.
Segundo ele, a presença de profissionais responsáveis por identificar visitantes, controlar entradas e monitorar movimentações pode contribuir significativamente para a segurança das unidades.
“Essa parte do porteiro eu acho interessante para que haja efetivamente o controle de acesso às escolas”, afirmou.
PM reforça preocupação com a segurança escolar
Durante a audiência, o comandante também destacou que a Polícia Militar tem ampliado sua atuação preventiva nas escolas por meio de visitas, rondas e programas de aproximação com a comunidade escolar.
Ele afirmou que, ao longo dos últimos anos, diversas ações foram implementadas para fortalecer a presença policial junto aos estudantes, professores e equipes pedagógicas.
Segundo o oficial, a corporação continuará acompanhando a situação das escolas e intensificando ações preventivas enquanto o município discute os próximos passos relacionados ao modelo de segurança das unidades de ensino.
Debate continua na Câmara
A retirada dos vigilantes armados segue sendo debatida por vereadores, representantes da educação, forças de segurança e familiares de alunos.
As discussões buscam encontrar alternativas que garantam a proteção das escolas e, ao mesmo tempo, atendam às exigências legais e administrativas decorrentes das investigações envolvendo os contratos de vigilância escolar.
Novas reuniões deverão ocorrer nas próximas semanas para aprofundar o tema e avaliar possíveis encaminhamentos.
Foto: Reprodução / TVL
