Por que Olavo de Carvalho e o Período Militar são incompatíveis

Artigo de Thiago Schulze, colunista do Mesorregional:

Rio de Janeiro – 24 de Outubro de 2018, há quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, o candidato Bolsonaro faz uma live acompanhado do deputado federal recém-eleito por seu partido Hélio Fernando Barbosa Lopes, o “Hélio Negão”. Na mesa, posicionados estrategicamente em frente à câmera, dois livros, um escrito por Winston Churchill e outro por um autodidata brasileiro domiciliado nos Estados Unidos de nome Olavo de Carvalho, até então ainda pouco conhecido do grande público.

 Desconfio que a maioria dos Bolsonaristas mais ferrenhos não tenha lido as obras de Olavo, eu li. A obra que ilustrou a live, por sinal, na verdade é uma organização feita pelo jornalista Felipe Moura Brasil de pequenos artigos que Olavo escrevia em seu próprio site: um portal extinto de nome “Mídia sem Máscara”. Garanto-lhes que tenho plena clareza e conhecimento para falar sobre o assunto e afirmar com todas as letras que idolatrar Olavo de Carvalho ao mesmo tempo que idolatra o Regime Militar de 1964 a 1985 é no mínimo controverso.

 Olavo tem uma visão um tanto intrínseca sobre o período em que coturnos nos governaram. Trata-se de uma visão individualizada de cada um dos governantes militares, separando o joio do trigo. Gosto bastante desta forma de visão, porém não é como ambos extremos, da esquerda e da direita, costumam analisar a questão. A verdade é que nem todos os comandos militares da época foram ruins, mas também não foram todos bons.

 O governo Castelo Branco foi reformista e transformador, sem restringir liberdade. Foi ele quem trouxe ao Brasil, por exemplo, a “Alienação Fiduciária”, fazendo com que mais pessoas pudessem comprar seu próprio veículo automotor ou imóvel, alienando o bem comprado à uma instituição financeira que lhe concedesse o crédito. Castelo criou o Banco Central, reformou instituições, introduziu a Reforma Agrária, dentre outras atitudes reformistas presentes na biografia que lhe dedicou o americano John W. F. Dulles. Ainda, tivemos Médici, um dos melhores administradores que já nos governaram.

 Em contrapartida tivemos Geisel, um presidente militar que, como já explanei na coluna de título “Regime Militar Precisamos falar sobre Geisel! de 07/08/2020“, flertava com socialistas em meio à Guerra Fria. Foi durante seu governo que o Brasil auxiliou Cuba a invadir Angola, praticando um genocídio que acabou com a Guerra Civil Angolana e implementou a ditadura do socialista Eduardo dos Santos, a qual futuramente viria a ser a maior devedora do BNDES.

 A contradição: como podem idolatrar Geisel e ao mesmo tempo questionar o apoio estatal do recente governo petista à ditadura angolana? Geisel adotou uma política econômica socializante da qual pagamos o preço até hoje, tolerou corrupção e inscreveu o Brasil no eixo terceiro-mundista antiamericano.

 Olavo de Carvalho não é compatível com idolatria ao Regime Militar Brasileiro, nunca foi e provavelmente nunca será. Antes de recomendar um livro, tenha certeza de que você o leu.

Siga-me também no Instagram: @thiago.schulze

error: Conteúdo Protegido !!