“Quero que o PT assine a CPI”, afirma Jorginho Mello em Blumenau após caso entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), esteve em Blumenau nesta quinta-feira (14). Ele participou da abertura da XX Conferência Estadual da Advocacia Catarinense, realizada no Parque Vila Germânica.
Durante entrevista, Jorginho respondeu á uma pergunta feita sobre o envolvendo o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso. Áudios de conversas mostram que Flávio solicitou R$ 134 milhões e obtido R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Questionado sobre o possível impacto político e eleitoral do caso, Jorginho afirmou concordar “integralmente” com a manifestação pública de Flávio Bolsonaro e defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso envolvendo o Banco Master.
Ele ainda cobrou apoio de outros partidos para a instalação da comissão. “A CPI precisa ser criada para apurar, esclarecer exatamente tudo o que está acontecendo, para separar o joio do trigo. Eu concordo com as palavras dele, eu concordo com todas as palavras dele que ele disse na mídia, na imprensa, por nota, e principalmente a criação da CPI. Eu quero agora que todos os partidos assinem, é a minha expectativa, ou que o próprio PT assine, porque o PT não assinou o roubo dos velhinhos, aquela coisa toda. Eu quero que o PT assine, dessa vez, a CPI para definitivamente esclarecer o que aconteceu com o Banco Master”, completou.
O que disse Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado patrocínio privado com Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, mas negou irregularidades. Segundo ele, o projeto não envolveu dinheiro público.
O senador afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e que retomou contato depois de atrasos no pagamento das parcelas previstas em contrato.
“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme“, disse o parlamentar na manifestação, horas após a publicação da matéria.
Romeu Zema critica Flávio Bolsonaro
O ex-governador de Minas Gerais, e pré-presidenciável Romeu Zema (Novo), elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro após a divulgação de mensagens e de um áudio em que o parlamentar aparece cobrando apoio financeiro de Daniel Vorcaro.
A fala de Zema rapidamente repercutiu no meio político nacional por atingir diretamente um nome historicamente ligado ao núcleo bolsonarista.
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa…”, “…é um tapa na cara dos brasileiros.” declarou o ex-governador mineiro.
Zema ainda acrescentou que “é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, em uma sinalização clara de distanciamento político diante da repercussão do caso.
Até então, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro mantinham relação de proximidade política e eram frequentemente apontados nos bastidores como possíveis aliados para a eleição presidencial de 2026.
Em abril deste ano, inclusive, os dois apareceram juntos em um vídeo publicado nas redes sociais, em tom descontraído, no qual Zema sugeria que Flávio pudesse compor uma eventual chapa presidencial como candidato a vice-presidente.
O episódio, porém, ganhou novos contornos após a prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (14).
A situação passou a alimentar críticas de aliados bolsonaristas ao próprio Zema após vir à tona que Henrique Vorcaro realizou uma doação de R$ 1 milhão ao diretório estadual do Partido Novo em Minas Gerais no ano de 2022.
A informação consta oficialmente na prestação de contas anual da sigla disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e voltou a circular intensamente nas redes sociais após as declarações públicas do ex-governador mineiro contra Flávio Bolsonaro.
Perfis ligados ao bolsonarismo passaram então a questionar a coerência do posicionamento de Zema, apontando que o partido dele também recebeu recursos oriundos da família Vorcaro.
Até o momento, Romeu Zema não havia se manifestado publicamente sobre a doação feita ao Partido Novo nem sobre as críticas que passou a receber após o episódio.
Foto: Marlos Glatz/Mesorregional | Bruno Pires/Agência Brasil
