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André Espezim é o único investigado nas operações do GAECO que segue em cargo comissionado

As operações desencadeadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) na última semana continuam provocando fortes repercussões políticas em Santa Catarina, principalmente em Blumenau e região.

Entre todos os investigados que receberam visitas das equipes do Ministério Público e das forças policiais durante as operações “Ponto Final”, “Sentinela” e “Arbóreo”, apenas um nome segue ocupando cargo comissionado no Governo do Estado: André Ezpezim, considerado um dos homens de maior confiança do ex-prefeito de Blumenau e ex-secretário estadual da Defesa Civil, Mário Hildebrandt (PL).

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O Mesorregional apurou que Ezpezim permanece lotado na Secretaria de Estado da Casa Civil como Consultor Executivo, função que ocupa desde o dia 13 de abril deste ano.

Imagem: Reprodução / Diário Oficial de Santa Catarina

Espezim foi transferido após saída da Defesa Civil

Antes de assumir a função na Casa Civil, André Ezpezim ocupava exatamente o mesmo cargo na Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil.

A movimentação ocorreu pouco antes da saída de Mário Hildebrandt do comando da pasta estadual, em meio às articulações relacionadas ao cenário eleitoral de 2026.

Ezpezim já havia ocupado cargos estratégicos durante os governos de Hildebrandt em Blumenau, incluindo:

Nos bastidores políticos, ele é tratado como um dos principais aliados e operadores administrativos do ex-prefeito.

Deputados do PL defendem afastamento imediato

O deputado estadual Ivan Naatz (PL), que tem adotado postura crítica em relação a Mário Hildebrandt nos últimos meses, afirmou ao Mesorregional que a permanência de Ezpezim no cargo vem causando desconforto interno até mesmo dentro do partido do governador Jorginho Mello (PL).

“Todos os deputados que estavam no evento do PL, sábado (9), em Florianópolis, comentaram que o ideal é que ele seja afastado do posto na Casa Civil imediatamente”, declarou Naatz ao Mesorregional.

A fala evidencia que a crise política desencadeada pelas operações já ultrapassa o campo jurídico e começa a gerar desgaste interno dentro da própria base governista.

Outros ex-secretários já foram exonerados

Diferentemente de Ezpezim, outros ex-integrantes do governo municipal de Blumenau acabaram afastados de cargos públicos após terem os nomes ligados às investigações.

Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, que havia sido secretário de Gestão Governamental e de Obras durante a gestão Hildebrandt, ocupava desde junho de 2025 o cargo de secretário municipal de Planejamento Territorial em Gaspar.

Ele foi exonerado pelo prefeito Paulo Koerich (PL) na quarta-feira (6), mesmo dia em que foi deflagrada a Operação “Ponto Final”. Revelamos em primeira mão que Maiochi também foi alvo de medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo monitoramento eletrônico com tornozeleira.

Outro nome atingido foi o de Cesar Poltronieri, ex-secretário da Fazenda de Blumenau. Ele estava atuando como secretário de Administração e Finanças em Indaial até ser exonerado pelo prefeito Silvio César da Silva (PL) na última quinta-feira (10), após os desdobramentos das operações “Arbóreo” e “Sentinela”.

As investigações envolveram inclusive buscas e apreensões em gabinetes ligados aos investigados.


Gestões atuais não são alvo das investigações

Apesar das exonerações e da repercussão política, tanto a Prefeitura de Gaspar quanto a Prefeitura de Indaial e a atual gestão municipal de Blumenau reforçaram que as atuais administrações municipais não são alvo das investigações conduzidas pelo Ministério Público.

As apurações têm como foco supostos esquemas relacionados a contratos públicos firmados em períodos anteriores, principalmente ligados à Prefeitura de Blumenau.


Operações investigam corrupção, cartel e lavagem de dinheiro

As operações conduzidas pelo GAECO investigam possíveis crimes como:

  • corrupção ativa e passiva;
  • fraude em licitações;
  • organização criminosa;
  • lavagem de dinheiro;
  • cartel empresarial;
  • superfaturamento de contratos públicos.

Os procedimentos seguem sob sigilo parcial judicial.

Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra os investigados citados nesta reportagem.

O espaço segue aberto para manifestação dos envolvidos.

Foto: Rogério Pires / Impresa CMB (Arquivo)

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