Após novas gravações, Janot ameaça rescindir delação da JBS

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, convocou a imprensa nesta segunda-feira (4) para um pronunciamento para informar que, em áudios captados na última semana entre dois colaboradores, há a citação do ex-procurador da República Marcello Miller.

“Determinei hoje a abertura de investigação de omissão de informações sobre prática de crimes para a assinatura de delação premiada do caso da JBS. Áudios com conteúdo graves, eu diria gravíssimos, foram obtidos pelo Ministério Público”, informou Janot.

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Segundo o procurador, há “informações robustas” que mostram uma atuação inadequada e que podem causar a revogação da delação de executivos da empresa JBS. O maior prejuízo, no entanto, seria a perda dos benefícios conseguidos pelos delatores do esquema. “Nessa dimensão, é a primeira vez que algo assim acontece”, informou ainda.

O áudio chegou até a Procuradoria na última quinta-feira (31) e, como o volume de informações era muito grande, foi feito um “regime de plantão” onde a equipe do Ministério Público ficou ouvindo todos os áudios.

Domingo (3) pela manhã, uma das funcionárias ouviu um áudio que não tinha a ver com o “conjunto” das denúncias. Após análise, a equipe considerou algo “gravíssimo”.

“Não vou falar o estado, porque fica muito óbvio, mas tínhamos o áudio um, dois, três e quatro. Vamos dizer, o um, dois e quatro falavam sobre aquilo e um terceiro não tinha nada a ver com o caso”, acrescentou Janot.

“Os atos sugerem que houve um ato ilícito na Procuradoria e no Supremo Tribunal Federal”, mas segundo Janot, todos terão o “direito de defesa” sobre o caso.  Ainda segundo o procurador, mesmo se o acordo for rescindido, ele não invalida as provas até agora apresentadas.

A delação da JBS citou dezenas de políticos de alto escalão, incluindo o presidente da República, Michel Temer. As denúncias e as provas causaram a abertura do primeiro inquérito contra o mandatário, que posteriormente foi rejeitado pela Câmara dos Deputados.

 

Nota da PGR:

Em nota após a coletiva, a PGR informou ainda que “o acordo previa prazo de 120 dias, a partir da homologação, para que os colaboradores reunissem e entregassem elementos de provas sobre os depoimentos prestados em abril perante a Procuradoria-Geral da República para que não fossem acusados de omissão”.

“Consta do vasto material entregue à PGR diversos áudios, um dos quais possui cerca de quatro horas de duração, aparentemente gravado em 17 de março deste ano, e traz uma conversa entre os colaboradores Joesley Batista e Ricardo Saud. Apesar de partes do diálogo trazerem meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático, inclusive envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a própria Procuradoria-Geral da República, há elementos que necessitam ser esclarecidos”, diz ainda a entidade.

Segundo o comunicado, um dos exemplo é uma conversa no qual os dois falam “sobre suposta atuação do então procurador da República Marcello Miller, dando a entender que ele estaria auxiliando na confecção de propostas de colaboração para serem fechadas com a Procuradoria-Geral da República. Tal conduta configuraria, em tese, crime e ato de improbidade administrativa”.

 

Fonte:
Foto: José Cruz / EBC Serviços/Fotos Públicas

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