Eleições 2020: Possibilidades dos Candidatos a Vereador que não utilizaram Dinheiro Público em suas campanhas

Artigo de Thiago Schulze, colunista do Mesorregional:

Neste domingo, teremos eleições para eleger nossos próximos vereadores, que iniciam seu mandato já em 2021.

Infelizmente, muitos candidatos já começam mal, gastando dinheiro público antes mesmo de assumir uma cadeira, é o chamado “Fundo Eleitoral”, que pode ser tanto partidário, quanto especial, entretanto ambos têm como origem o dinheiro do bolso do eleitor.

Por outro lado, também não é interessante fazer campanha sem dinheiro. Os números das eleições de 2016 nos mostram que o investimento mínimo para se eleger foi do Vereador Gilson de Souza, que utilizou R$ 6.198,70 de recursos privados na época. Também não é preciso gastar quantias astronômicas, como a campanha mais cara da época, do Vereador Alexandre Matias, que gastou R$ 78.720,93 na ocasião e por uma diferença de apenas quarenta votos quase perdeu sua vaga para o então companheiro de partido, Alemão da Alumetal.

Além disso, considero ainda importante estar em uma legenda passível de eleger pelo menos um candidato, o que não é tão comum assim. Em 2016 tivemos um comparecimento de 77,17% dos eleitores blumenauenses às urnas, este ano acredito que teremos um número 25% menor, ou seja, de 57,88%, ou 142.972 votos, o que significa um quociente eleitoral de 9.531 votos nas eleições proporcionais de Blumenau. Portanto, uma legenda que não possui uma nominata de vereadores capaz de fazer 9.531 votos, pode no máximo eleger um pelas sobras e mesmo assim encontrará dificuldades.

Diante deste cenário, considerei apenas candidaturas sem problemas judiciais com a candidatura, que não utilizaram fundo partidário, com investimento privado de pelo menos cinco mil reais e em legenda com expectativa de mais de 9.531 votos, e obtive um número de apenas 38 candidatos:

CIDADANIA: Com a filtragem acima, restam os candidatos “Doutor Carmo”, com R$ 9.032,60 investidos de recursos privados e “Bruno Cunha”, com R$ 14.000,00 na conta de campanha, sendo este último candidato à reeleição. O partido deve brigar por apenas uma 1 vaga na câmara.

DEM:O único que se encaixou na filtragem foi o candidato “Melo”, que aplicou R$ 10.000,00 em sua campanha. Acredita-se que o DEM faça entre 1 e 2 vagas.

NOVO: É o partido com um investimento privado mais variado, nenhum dos candidatos da legenda utilizou dinheiro público na campanha, possui ao todo sete candidatos que se encaixam na filtragem. São eles: “Liliane Schuldt” (R$ 5.750,00), “Simone Gadotti” (R$ 7.830,00), “Diego Nasato” (R$ 11.000,00), “Paulo Vargas” (R$ 13.194,00), “Mike Moretti” (R$ 16.372,58), “Bruno Winzewski” (R$ 36.760,00), “Emmanuel Tuca de Santos” (R$ 52.240,00). A princípio a expectativa era de que o Novo conquistasse apenas 1 cadeira na câmara de vereadores, entretanto a recente disparada de seu representante na majoritária poderia, eventualmente, trazer a 2ª vaga para a legenda.

-> Prêmio de Milionários: boa parte do grande investimento de alguns candidatos a Vereador pelo Partido Novo de Blumenau se deve pelo “prêmio” que receberam de milionários como José Salim Mattar Junior (fundador da Localiza e ex-secretário de desestatização do Governo Bolsonaro), Newton Patrício Crespi (empresário brusquense, dono da FIP) e Pedro de Godoy Bueno (brasileiro mais jovem da lista de bilionários da Forbes, herdeiro da indústria farmacêutica).

SOLIDARIEDADE: Mais um partido onde nenhum dos candidatos da legenda utilizou dinheiro público na campanha, possui três candidatos que se enquadram na filtragem acima: “Ivo Dickmann Junior” (R$ 34.953,03), “Zeca Bombeiro” (R$ 20.900,00) e “Jovino Cardoso” (R$ 18.816,82), sendo estes dois últimos candidatos a reeleição. Inicialmente acreditava-se que o partido conseguiria 2 cadeiras na casa legislativa, porém com a desistência do então candidato à reeleição Alexandre Caminha (que passou a apoiar o aspirante Ivo Dickmann Junior), a expectativa virou uma incógnita e pode acabar reduzida para uma. Apesar de concorrer com dois gigantes com pelo menos dois mandatos no currículo, a maior estrutura de campanha certamente foi de Ivo Dickmann, com sua ideia inovadora do Mandato Compartilhado com 400 eleitores via aplicativo de celular, nos moldes do vereador mineiro Gabriel Azevedo.

PSL: O partido possui dois candidatos que se enquadram na filtragem: Carlos Wagner, o Alemão da Alumetal (R$ 18.000,00) e Telmo Duarte Junior (R$ 5.713,64). Com um investimento um pouco inferior também está José Galdino, um antigo cargo de confiança do ex-prefeito Napoleão na FAEMA, que corre por fora na disputa. Espera-se que o partido faça 1 vaga.

PSDB: O partido possui quatro candidatos que se enquadram nas condições: “Fernando Mantau” (R$ 29.351,56), Sylvio Zimmermann (R$ 25.000,00), João Franceschi (R$ 17.400,00) e Alexandre Matias (R$ 13.300,00). Sylvio e Alexandre buscam a reeleição. O partido perdeu muito com o ex-prefeito Napoleão, que não só abandonou o mandato no meio da gestão, como também trocou de partido. Espera-se que os tucanos elejam apenas 1 vereador na situação atual.

PODEMOS: A legenda do atual prefeito e forte candidato à reeleição possui quatro candidatos que se encaixam nas atribuições: “Dr. Marcelo Lanzarin” (R$ 81.027,97), “Marciano Tribess” (R$ 29.166,60), “Professor Rodrigo Hahne” (R$ 22.883,99) e “Roger Carlos Veneri” (R$ 5.677,60). A expectativa é que a legenda coloque 2 ou 3 vereadores na Casa Legislativa. Um ponto negativo é a candidatura de Guto Reinert, um dos principais nomes do partido na proporcional, que apesar de ainda ter direito a recurso e por isso ter seu nome nas urnas, teve a candidatura rejeitada tanto no juízo eleitoral de primeira instância, quanto na segunda instância recursal, e seus votos correm o risco de não serem validados.

PATRIOTA: Quatro candidatos se encaixam, inclusive o candidato “Professor Gilson”, com um investimento de R$ 13.900,00 em sua campanha. Além dele, constam também a ex-atleta “Ana Amorim” (R$ 10.650,00), o ex-vereador “Beto Tribess” (R$ 6.560,00) e “Pinheiro” (R$ 6.150,45). O partido ainda conta com a ativista “Alcione Kleine”, que investiu um pouco menos e corre por fora. O partido deve fazer 1 vaga na câmara municipal.

PP: Também três candidatos na situação exposta: “Almir Vieira” (R$ 33.100,00), “Fabeny” (R$ 27.401,00), e “Victor Iten” (R$ 15.500,00). Acredita-se que o partido faça 1 vaga e já se atribuiu ela à reeleição de Almir, entretanto não se esperava pela estrutura montada pelo advogado e empresário Clésio Fabeny, que pode surpreender.

PL: Dois candidatos se encaixam na ideia: “João Paulo Taumaturgo”, o herdeiro de um famoso Cemitério e Crematório desta cidade, que já é o maior investimento dentre as campanhas deste ano, com ESPANTOSOS R$ 98.950,70 de estrutura para se eleger. Entretanto, João ainda é a sombra do atual vereador “Ito Ailton de Souza”, que investiu um pouco menos (R$ 81.500,00), mas por ser candidato à reeleição é o favorito à única vaga que deve ficar com a legenda.

REPUBLICANOS: Notamos dois candidatos: “Egídio Beckhauser” (R$ 14.300,00) e “João Muniz” (R$ 5.500,00). Corre por fora a candidatura de “Velozo”, que investiu menos, mas também não está usando dinheiro público, é o atual presidente municipal do partido e circula com muita influência em diversas castas políticas. A legenda luta por 1 vaga na câmara municipal.

MDB: Três candidatos do MDB se enquadram: Daniel Hostin (R$ 16.550,00), Lisiane Anzanello (R$ 6.000,00) e Alvaro Pinheiro (R$ 5.000,00). As apostas na obtenção de uma vaga na câmara municipal em relação ao partido são baixas, a verdade é que os nomes do partido raramente aparecem em listas de possíveis eleitos. A expectativa mais favorável é que a sigla brigue por 1 vaga.

PT: Confesso que achei que este partido não teria representante neste artigo, considerando seu histórico de utilização de dinheiro público em campanhas eleitorais, entretanto uma candidatura em específico me surpreendeu inclusive pela ideia. Trata-se de “Roberto Mandato Coletivo”, com R$ 21.622,12 de dinheiro exclusivamente privado investido em sua campanha, e que, conquistando um mandato, este será exercido por seis pessoas – todos com uma visão ideológica voltada para a esquerda. A situação legislativa do PT é muito grave em nossa cidade, houve um grande investimento na chapa majoritária e mesmo assim ela não está decolando. Alguns arriscam dizer que o partido talvez não consiga nenhuma vaga, outros sugerem uma, mas o fato é que mais do que 1 vaga a sigla não deve conquistar.

ATENÇÃO: A lista acima não se trata apenas de uma perspectiva de eleição, nem tampouco de uma indicativa de voto, mas sim de uma possibilidade real de eleição sem utilização de dinheiro públicoconsiderando apenas o fator financeiro do pleito. Existem outros candidatos com chances, mas que estão utilizando dinheiro público em suas campanhas, e até outros que, apesar de não estarem utilizando dinheiro público, tiveram um menor investimento privado e tendem a surpreender. Como as eleições ficam, a cada ano, mais baratas em razão da internet, tudo é possível.

A análise de cada valor foi manual, portanto, desde já, peço desculpas por eventual erro. Os dados foram coletados ao longo desta última semana, sendo que, para os listados, houve uma última atualização na data de hoje. Cheque se o seu candidato foi citado na lista acima e, lembre-se que, caso não tenha sido, não quer dizer que ele não possa ser eleito, apenas que ele não se encaixa nas quatro características utilizadas para filtragem: sem problemas judiciais com a candidatura, não utilizou fundo partidário, com investimento privado de pelo menos cinco mil reais na campanha e em legenda com expectativa de mais de 9.531 votos.

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