Entre curvas e retas

Artigo de Thiago Schulze, colunista do Mesorregional:

Vivemos em um maniqueísmo de esquerda e direita que sucede as tesouradas de uma canhota intelectual em clara cumplicidade pragmática com uma trabalhista. Quando foi que passamos a dar menos importância às curvas e considerar uma linha reta como sendo o melhor caminho entre dois pontos? O que impede um “Wild Capitalist” de não “perder la ternura jamás”?

O campo de batalha virtual das guerras do mundo contemporâneo permite que “tuiteiros” vistam togas e confortem-se em uma cadeira presidente, daquelas estofadas com um belo encosto de cabeça, ambiente muito mais confortável que os cenários dos conflitos antigos, onde os assassinos tiravam a vida de um ser humano de um jeito bem mais honesto dos atuais, que estripam reputações. O soldado morto em batalha era lembrado como herói, enquanto o militante virtual de nossa era, quando derrotado, é humilhado e esquecido.

A Segunda Guerra Mundial terminou e com ela foi-se uma ideologia vencida, enxergamos diariamente os benefícios que seu fim levou, mas triunfo nem sempre é sinal de paz. Desde o fim da última batalha os vencedores não se entendem, como se fossem ladrões de banco que concluem com sucesso um assalto, mas não conseguem chegar a um acordo na divisão do dinheiro. O ódio nunca transforma, somente as diferenças é que complementam uma razão.

Vista de longe, toda curva é reta. Vista de muito perto, toda reta é cheia de curvinhas. Se curvas fossem tão ruins, montanhas-russas não nos trariam tanto prazer. Jamais dançaríamos zigue-zague na Oktoberfest com tanto entusiasmo. Curvas são necessárias, desnecessária é a insistência da natureza humana em não aceitar a própria natureza humana. O maniqueísmo é o ópio de um coletivo imbecil.

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