O que não trouxe e o que levou o secretário de Estado da Saúde, que visitou ontem (18) Blumenau

André Motta Ribeiro, atual secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina esteve ontem (18) em Blumenau. Ele visitou os hospitais Santo Antônio e Santa Isabel e saiu daqui elogiando as estruturas e equipes, além de tecer até mesmo elogios à gestão municipal.

A visita se deu em tempo de colapso no Oeste do estado por conta do alto número de casos de Covid-19, que está estourando a capacidade de ocupação hospitalar na região, situação semelhante do que pode ser ocasionado na Grande Florianópolis. Vale lembrar que André assumiu a Secretaria após a saída de seu antecessor Helton Zeferino, após o escândalo dos R$ 33 milhões gastos com a compra de respiradores fantasmas pelo Governo do Estado e que essa não foi a única “batata quente” que passou a administrar, já que a pandemia não dá tréguas.

André Motta não trouxe nada com relação a investimentos e anúncios por parte do estado, aliás, no mesmo dia um viatura UTI Móvel que estava parada, ao relento, desde agosto do ano passado, foi retirada da cidade pela Secretaria de Estado da Saúde. Ou seja, além de não trazer nenhum investimento, ainda levou de Blumenau, uma ambulância de Suporte Avançado, tem em vista que situações de viaturas do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) carecem de substituição na cidade, conforme inúmeras matérias do Mesorregional e outros veículos de comunicação.

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Na Coletiva de Imprensa dada no fim da tarde na Prefeitura Municipal de Blumenau, o secretario estadual frisou da importância de medidas básicas e individuais para que a transmissão do coronavírus não continue aumentando, como higienizar as mãos e evitar aglomeração de pessoas e com muita rispidez responder sobre a situação da ambulância levada.

Ao dizer que as viaturas específicas não estavam paradas, o secretário faltou com a verdade, já que nossas reportagens deixaram claro, inclusive com transmissões ao vivo que as ambulâncias estavam de fato ao relento por cerca de sete meses. Ele também ficou incomodado com o uso da palavra “surdina” ao afirmar que isso não aconteceu, mas sem comprovar que alguém foi avisado que isso ocorreria.

Logo após o término da coletiva, o Mesorregional conversou em particular com André Motta sobre as partes que ele não deixou claro, uma delas, do motivo de tanto tempo estagnadas e em depreciação pelo tempo viaturas totalmente novas e equipadas. Ainda ríspido, pelo incômodo da cobrança o secretário terceirizou a culpa para a burocracia e ainda afirmou que atualmente fornecedores do ramo de saúde estão se “aproveitando da pandemia para elevar os preços de equipamentos.”

Fotos: Wellington Civiero Ferreira / Mesorregional

“Colocar viaturas novas para rodar não é nada simples, precisa equipa-las, contratar pessoas e num momento como esse não está nada fácil” disse o secretário sem conseguir se justificar como que em mais sete meses isso ainda ainda não foi possível, sendo que em agosto de 2020 sua própria pasta reconheceu a necessidade de agilidade, já que era “um desejo antigo”, de acordo com as próprias palavras de André.

Situação do SAMU e uso de viaturas em SC

Ao justificar a ida da viatura de Blumenau para Chapecó, o secretário não conseguiu justificar a atual situação o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) no Vale do Itajaí, dizendo que nesta região o sistema está robusto, bem distante do que a realidade e profissionais que atuam no Serviço mostram.

Tanto em Blumenau, como em Balneário Camboriú, por exemplo, as Unidades de Suporte Avançado (que são UTIs Móveis) estão sem o funcionamento de ar condicionado, por exemplo, o que dificulta a condução da viatura em dias chuvosos, já que o parabrisas embaça com facilidade e não os motoristas precisam se dirigir para situações de extrema emergência, com muita cautela.

As Unidades de Suporte Básico, cujo equipe é de responsabilidade dos municípios, na maioria estão com alta quilometragem, o que provoca desgaste e manutenção exacerbada, sendo que neste momento até mesmo para o transporte inter-hospitalar entre cidades estariam sendo utilizadas, tendo em vista que o próprio secretário afirmou que são as de Suporte Avançado que servem para o atendimento primário, os mais graves.

Equipes

Como também já noticiado pelo Mesorregional inúmeras vezes, por conta da ausência de pagamentos em dia para a OZZ Saúde, concessionária do SAMU em Santa Catarina, até mesmo o sistema de computador responsável pelo atendimento e regulação podem parar de funcionar por conta do atraso do Estado.

Funcionários trabalham antes e durante a pandemia com notícias indigestas, como a diminuição de benefícios como o vale refeição, retirada de vale alimentação, diminuição de adicional noturno e seguro de vida, parcelamento do pagamento de plantões, atraso do décimo terceiro salário e do pagamento e concessão de férias etc.

A Coletiva de Imprensa de ontem pode ser vista na íntegra na nossa página do Facebook.

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