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PM se manifesta após polêmica e descarta “barreiras” e áreas de exclusão em Blumenau

A repercussão envolvendo um vídeo gravado por dois candidatos do Partido Missão no acesso ao Morro Dona Edith, na região da Velha Grande, em Blumenau, ganhou um novo e importante capítulo, após publicação do Mesorregional. O Comando do 10º Batalhão de Polícia Militar (10º BPM) divulgou uma nota oficial esclarecendo a realidade operacional da segurança pública na comunidade e no restante do município.

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A manifestação, assinada pelo comandante do batalhão, tenente-coronel Heintje Heerdt, ocorre após o Mesorregional publicar reportagem mostrando que afirmações apresentadas no vídeo político foram contestadas por moradores e profissionais da segurança pública que conhecem ou já atuaram na região.

Entre as declarações feitas pelos candidatos estavam referências à suposta existência de “barricadas” criadas por traficantes, além da alegação de que crianças seriam cooptadas para participar dessas barreiras portando armas.

Na nota oficial, o 10º BPM não menciona nominalmente os candidatos, mas é categórico ao informar que não existem barreiras ou áreas de exclusão que impeçam o trabalho policial ou o acesso de serviços públicos e moradores em Blumenau.

“Não existem barreiras ou áreas de exclusão”

Segundo o comando da Polícia Militar, a corporação mantém atuação permanente em toda Blumenau, incluindo especificamente a Velha Grande e o Morro Dona Edith.

“A Polícia Militar de Santa Catarina, através do 10º BPM, vem a público esclarecer que mantém atuação ostensiva, preventiva e presença constante em todas as regiões do município de Blumenau, incluindo a comunidade da Velha Grande e o Morro Dona Edith.”

Um dos principais trechos da manifestação oficial trata justamente da capacidade de acesso e patrulhamento das equipes policiais.

O 10º BPM afirma que não existe nenhuma região de Blumenau na qual uma equipe convencional de radiopatrulha, formada por dois policiais militares, esteja impossibilitada de realizar seu trabalho rotineiro.

“Frisa-se que não há áreas em Blumenau em que uma equipe de radiopatrulha da PM, composta por 2 policiais militares, não consiga realizar seu trabalho de patrulhamento de rotina, bem como não existem barreiras ou áreas de exclusão que impossibilitem o acesso de viaturas, serviços públicos ou da população ao local.”

A manifestação institucional reforça, portanto, aquilo que já havia sido relatado ao Mesorregional por profissionais da segurança pública após a circulação do vídeo.

Vídeo político havia falado em “barricadas”

A controvérsia começou depois que Felipe Barcellos, vereador de Florianópolis e candidato a deputado federal, e Tulio Pfuetznreiter, morador de Indaial e candidato ao Senado, ambos pelo Partido Missão, foram até o acesso à Rua da Comunidade para produzir um vídeo sobre segurança pública, cheio de afirmações inverídicas.

Durante a gravação, Felipe afirmou: “Aqui tem até barricada.” Na sequência, Tulio declarou: “Aqui não é Rio de Janeiro, aqui é Santa Catarina. Aqui crianças são cooptadas para o tráfico de drogas. Eles participam das barricadas e com armas nas mãos.”

As afirmações específicas sobre barricadas passaram a ser questionadas depois da publicação.

Um sargento da Polícia Militar de Blumenau já havia afirmado publicamente que não há ocorrência de barricadas e que a presença de armas de fogo não constitui uma situação rotineira no local.

Um policial civil que declarou ter participado pessoalmente de operações naquela região também contestou a narrativa, afirmando que existe atuação do tráfico de drogas, mas que nunca houve as alegadas barricadas no morro.

Agora, a manifestação do próprio comando do 10º BPM acrescenta um posicionamento institucional ao debate.

PM não nega existência de criminalidade e diz manter ações na região

É importante destacar que a nota da Polícia Militar não afirma que inexistam tráfico de drogas ou outros problemas relacionados à criminalidade na região.

Ao contrário, o 10º BPM informa que mantém ações operacionais e de inteligência direcionadas ao enfrentamento dessas atividades.

Segundo a corporação, existe monitoramento contínuo das demandas de segurança, realizado também em articulação com outros órgãos do sistema de Justiça e da assistência social.

“As ações operacionais e de inteligência na região prosseguem de forma técnica, focadas na preservação da ordem pública, no combate ao crime organizado e na garantia da segurança de todos os moradores.”

A distinção é importante: uma coisa é reconhecer a existência de ocorrências policiais, tráfico de drogas e necessidade permanente de atuação das forças de segurança; outra é afirmar a existência de barreiras ou áreas dominadas nas quais o Estado não consiga ingressar.

Sobre este segundo ponto, o posicionamento divulgado pelo comando do batalhão é claro ao informar que não existem áreas de exclusão ou obstáculos que impossibilitem a entrada das equipes policiais em Blumenau.

Batalhão abre as portas para candidatos, lideranças e sociedade

Em outro trecho da nota, o comando do 10º BPM faz um convite para que lideranças e integrantes da sociedade interessados em discutir segurança pública procurem diretamente a instituição.

“O Comando do 10º Batalhão de Polícia Militar aproveita a oportunidade para convidar todas as lideranças, cidadãos e demais membros da sociedade civil legitimamente comprometidos com a segurança pública municipal a comparecerem à sede do Batalhão.”

A corporação acrescenta que suas portas permanecem abertas para “diálogo construtivo, alinhamento de informações e discussão técnica de soluções em prol da ordem pública”.

O convite ganha relevância diante da controvérsia provocada pelo vídeo, uma vez que oferece a possibilidade de buscar diretamente junto à instituição responsável pelo policiamento ostensivo informações técnicas sobre a realidade da segurança pública municipal antes da divulgação de conteúdos sobre determinadas comunidades.

Moradores também reagiram à exposição da comunidade

A reportagem anterior do Mesorregional mostrou que moradores da Velha Grande também reagiram à forma como a região foi retratada.

Uma moradora ressaltou que a comunidade é formada por famílias, trabalhadores e crianças e pediu que aqueles que pretendem falar sobre o local conheçam sua realidade integralmente.

As críticas não buscaram esconder os problemas enfrentados pela comunidade, incluindo questões sociais e a própria atuação do tráfico apontada por policiais. A principal contestação foi direcionada à utilização de afirmações específicas que moradores e agentes da segurança afirmaram não corresponder à realidade vivenciada no local.

Com a nota divulgada pelo 10º BPM, o debate passa a contar agora com uma manifestação oficial da instituição responsável pelo policiamento ostensivo de Blumenau: há atuação policial e combate à criminalidade na região, mas, segundo a Polícia Militar, não existem barreiras ou áreas de exclusão que impeçam o acesso de viaturas, serviços públicos ou da própria população.

Nota do 10º BPM na íntegra

“A Polícia Militar de Santa Catarina, através do 10º BPM, vem a público esclarecer que mantém atuação ostensiva, preventiva e presença constante em todas as regiões do município de Blumenau, incluindo a comunidade da Velha Grande e o Morro Dona Edith.

A corporação reafirma que realiza monitoramento contínuo das demandas de segurança local, atuando em conjunto com os demais órgãos do sistema de justiça e assistência social. Frisa-se que não há áreas em Blumenau em que uma equipe de radiopatrulha da PM, composta por 2 policiais militares, não consiga realizar seu trabalho de patrulhamento de rotina, bem como não existem barreiras ou áreas de exclusão que impossibilitem o acesso de viaturas, serviços públicos ou da população ao local.

O Comando do 10º Batalhão de Polícia Militar aproveita a oportunidade para convidar todas as lideranças, cidadãos e demais membros da sociedade civil legitimamente comprometidos com a segurança pública municipal a comparecerem à sede do Batalhão. As portas da corporação estão abertas para o diálogo construtivo, o alinhamento de informações e a discussão técnica de soluções em prol da ordem pública.

As ações operacionais e de inteligência na região prosseguem de forma técnica, focadas na preservação da ordem pública, no combate ao crime organizado e na garantia da segurança de todos os moradores.”

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