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MPSC denuncia acusados de matar a menina Ana Beatriz de 12 anos em 2016 em Rio do Sul

O Ministério Público de Santa Catarina ofereceu denúncia contra três supostos envolvidos no desaparecimento e morte da jovem Ana Beatriz Schelter, em março de 2016, no Município de Rio do Sul. A situação faz com que os denunciados passem de suspeitos a acusados. 

Ana Beatriz, que tinha apenas 12 anos de idade, saiu de sua casa, no bairro Canta Galo, no início da tarde do dia 2 de março de 2016, caminhando até a escola em que estudava, não chegando ao seu destino e também não retornando para casa. Seu corpo somente foi encontrado na manhã do dia seguinte, dentro de um contêiner de uma empresa localizada às margens da BR-470, com sinais de violência sexual e com uma corda ao redor do pescoço, simulando um suicídio, que foi posteriormente descartado. 

As investigações concluíram que Ana Beatriz teria pegado uma carona com Mario Fleger (conhecido de Ana e de sua família) e João Vivaldino Córdova Lottin (amigo de Mario) por volta das 13h do dia 2 de março de 2016. Logo após, eles seguiram para outro local, onde teriam violentado sexualmente a vítima, causando em Ana graves lesões corporais. Em seguida, por volta das 14h30, também para assegurarem a sua impunidade e ocultarem o estupro supostamente por eles praticado, Mario e João teriam matado Ana Beatriz mediante asfixia por esganadura. 

Por fim, as investigações concluíram que Mario teria colocado Ana dentro do contêiner de uma empresa de banheiros químicos com suposto auxílio de Marcel Aparecido Albuquerque, que trabalhava no local,suspendendo a menina incompletamente por uma corda para simular enforcamento suicida.

Mario era conhecido de Ana e de sua família, e com eles tinha certa proximidade, pois trabalhava numa empresa que ficava ao lado da casa da vítima e ainda frequentava a mesma igreja que Ana costumava frequentar com seus pais. Já João era amigo de Mario e, a princípio, assim como Marcel, não tinha nenhuma relação com a vítima ou com sua família. 

Diante disso, os acusados foram denunciados pelos crimes de estupro de vulnerável com a incidência da causa de aumento de pena do concurso de pessoas e das agravantes da emboscada e de se aproveitar o agente das relações de hospitalidade que mantinha com a vítima; homicídio qualificado pela asfixia, pela emboscada, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, pelo cometimento do crime para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime e pelo feminicídio agravado pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos de idade e fraude processual qualificada (no caso de Marcel).

Caso a denúncia seja julgada procedente, os acusados Mario e João poderão ser condenados, cada um, a uma pena máxima de mais de 60 anos de prisão, e Marcel, a uma pena máxima de 4 anos. 

O Promotor de Justiça Carlos Eduardo Cunha, Coordenador do GAECO de Blumenau, afirmou: “Foi um dos casos mais difíceis já investigados pelo GAECO, sobretudo em razão do tempo decorrido entre o fato e o início da nossa atuação, mas conseguimos elucidar a autoria desses bárbaros crimes que chocaram todos nós, dando uma resposta para a sociedade e amenizando, ainda que um pouco, o sofrimento e a angústia dos familiares da Ana Beatriz”.

Foto : Reprodução TJPR

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