Napoleão Bernardes não consegue conquistar opinião popular após falar de trâmites com a Odebrecht Ambiental

A imprensa foi convocada para uma apresentação em que Napoleão Bernardes, prefeito de Blumenau pelo PSDB, na tarde de ontem (18), para tratar sobre aspectos relacionados a contratação da empresa Odebrecht Ambiental pela Prefeitura de Blumenau, após seu nome estar relacionado na delação premiada de Paulo Roberto Welzel (ex-diretor da Foz do Brasil, hoje Odebrecht Ambiental), que afirmou que tanto Napoleão, quanto seus adversários na campanha eleitoral de 2012, Ana Paula Lima (PT) e Jean Kuhlmann (PSD) teriam recebido R$ 500 mil através de caixa dois, e que o atual prefeito teria aceitado a efetuar reajustes no contrato do Município com a Odebrecht.

Napoleão falou por cerca de uma hora no Salão Nobre da Prefeitura, com a presença de diversos ocupantes de cargos comissionados na sua atual gestão. Tentou explicar nos mínimos detalhes como ocorreram as negociações com a empresa investigada na Operação Lava Jato. Na sua “apresentação” disse que desde o início do seu primeiro mandato tem sido duro com a empresa que presta serviço no estamento sanitário da cidade e que não concedeu nenhum benefício algum para a Odebrecht.

Logo após seu discurso Bernardes saiu do Salão Nobre, sem sequer dar a possibilidade dos profissionais da imprensa fazerem perguntas, e entrou para seu gabinete. Cerca de 15 minutos após sua retirada, sob pressão de repórteres que permaneceram no local, o prefeito acabou retornando ao Salão e em minutos respondeu a pequenas questões afirmando que não recebeu caixa dois em sua campanha eleitoral.

Veja o vídeo dos minutos finais da explanação de Napoleão Bernardes e da sua saída sem ouvir perguntas da imprensa:

 

Durante seu pronunciamento Napoleão preferiu falar que ao invés de conceder benefícios para a concessionária tirando dos cofres públicos do Município mais de R$ 230 milhões, optou por aumentar o prazo de concessão em 10 anos e elevar a tarifa de esgoto paga pelos contribuintes, além de outras medidas. Obviamente buscou se esquivar dos motivos que motivaram a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele e o senador Dalírio José Beber (PSDB) articular de sua campanha na época.

O prefeito afirmou que foi contrariado e motivado a não fazer o pronunciamento mas que decidiu por conta própria buscar esclarecer os fatos. Se a tentativa era conquistar a opinião popular de que é inocente no processo, não conseguiu. Isso está visível no “julgamento popular” principalmente nas redes sociais, mas é sempre bom lembrar que é dos investigadores o dever de provar se houve irregularidades tanto na campanha eleitoral quanto nos ajustes de “reequilíbrio econômico financeiro” e que o judiciário quem tem o dever de fazer o julgamento.

 

Confira na integra a gravação em áudio da explanação do prefeito sobre o caso:

 

Veja o vídeo da delação de Paulo Roberto Welzel, ex-executivo da Odebrecht Ambiental:

 

 

Foto: Jefferson Santos / Notícias Vale do Itajaí

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