“Os Detalhes da Estrutura da Loja Maçônica Fundada por Hermann Blumenau”
Confira mais um artigo do colunista Felipe Gabriel Schultze, formado em direito e historiador que escreve semanalmente ao Mesorregional, trazendo sempre opinião, fatos e curiosidades. Confira o artigo desta semana:
Já comentamos aqui da influência maçônica de Hermann Blumenau. Agora, vamos conhecer a estrutura da primeira loja maçônica de Blumenau.
Segundo os registros da época, os encontros aconteciam em uma simples residência de colono localizada na Rua Itajaí, nº 516, na antiga Vorstadt. Com o passar dos anos, a região se transformaria e passaria a abrigar o entorno do atual Hospital Santo Antônio. Não temos informações de quem era a casa onde acontecia as reuniões, mas podemos imaginar uma residência simples de madeira, típica das construções da colônia naquele período, cercada pela mata e adaptada às condições locais. Os ambientes provavelmente eram modestos, iluminados por lampiões.
A loja maçônica se chamava Zur Friedenspalme, e era expressão alemã que pode ser traduzida como “À Palmeira da Paz”. A iniciativa teria partido do próprio Dr. Hermann Blumenau.
Os trabalhos da primeira loja seguia uma tradição maçônica de origem alemã conhecida pela sobriedade e por uma menor ênfase em elementos cerimoniais quando comparada a outros ritos europeus. Ou seja, tinha mais debate do que rituais. Embora existam poucas descrições detalhadas sobre o funcionamento da loja em Blumenau, os registros históricos permitem supor que as reuniões ocorriam em ambiente reservado, iluminado por velas, com o uso de aventais e leituras de rituais, além de debates. Provavelmente se liam livros em alemão de alguns filósofos. Os participantes provavelmente se reuniam em torno de mesas simples, onde realizavam rituais voltados à reflexão moral, ao aperfeiçoamento pessoal e ao fortalecimento dos laços de fraternidade entre os membros.
Na tradição maçônica alemã da época, esses encontros costumavam combinar elementos simbólicos com discussões sobre educação, ciência, organização social e questões relacionadas ao desenvolvimento da comunidade. Em uma colônia em formação, tais temas tinham especial relevância para aqueles que participavam da construção das instituições locais.
Observado sob a perspectiva histórica, o papel da primeira loja parece ter estado muito mais ligado à sociabilidade e à troca de ideias do que às teorias conspiratórias frequentemente associadas à maçonaria. A loja constituiu um círculo de encontro entre médicos, comerciantes, engenheiros, administradores e outras lideranças que participaram ativamente da formação institucional da Colônia Blumenau e do desenvolvimento da comunidade nas décadas finais do século XIX.
