Para onde caminham as famílias?

Leia abaixo o artigo de Tiago Martins Speckart, psicólogo, que atua junto ao Centro de Referência Especializado em Assistência Social de Blumenau enviado ao Notícias Vale do Itajaí através do e-mail contato@mesoregional.com.br. Em seu artigo Speckart comenta sobre as famílias dos tempos atuais. Leia:

 

Esta semana comemora-se o Dia Internacional da Família, instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 1993. Quando falamos de família, a imagem que vem à mente é o clássico papai, mamãe, filhotes, e quem sabe, um cachorro. Porém essa configuração básica há muito tempo não dá conta mais de definir o que chamamos de família. Temos mães e pais solteiros, casais homoafetivos, separações, traições, lutos, pobreza e riqueza. Tudo isso também é família. Porém, longe  de definições, os laços familiares influenciam a nossa vida.

Como filhos, esperamos receber amor, proteção e carinho de nossos pais, mesmo que nos primeiros anos de vida a gente não pense exatamente dessa forma. Como pais, esperamos poder criar nossos filhos da melhor maneira possível, dando o melhor que temos para a geração seguinte. Mas nem sempre filhos recebem o que querem. Existem pais que tem amor para dar, mas não conseguem, seja por alguma fatalidade, seja por estarem em sofrimento emocional. Infelizmente, não posso deixar de mencionar pais que são perversos com seus filhos, que passam sofrimento e dor, pois não falo apenas de pais e mães ideais, mas de pessoas reais.

E assim, o que recebemos de nossos pais nos constrói, faz parte de nossa história, seja por bem ou por mal. Se recebemos pouco amor, mas compreendemos quando adultos que isso era tudo que nossos pais podiam dar, alguém assim poderia se sentir satisfeita com sua infância. Ou, quem sabe, essa mesma pessoa entendeu apenas que seus pais eram frios e distantes dela. Tal pessoa poderia se tornar um adulto resignado e triste com a relação fria que teve com seus pais, buscando calor e afeto em suas outras relações pessoais.

Ou se, como filhos, recebêssemos limites demais de nossos pais? Uma filha poderia se rebelar contra eles, se vestindo para chocar os pais, a autoridade. A liberdade poderia se tornar um valor essencial para essa garota imaginária. Ou se um garoto, na mesma situação, de limites extremos, se conformasse cada vez mais, fazendo apenas o que mandam, limitando a expressão de sua própria individualidade.

Estes dois exemplos não falam de pessoas específicas, porém poderiam muito bem ser pessoas reais. Talvez já sejam. Seja amor ou dor, o que recebemos dos nossos responsáveis nos construiu, e continua afetando nosso dia a dia de formas que não costumamos perceber sozinhos. Quase todo mundo pensa que um dos clichês da terapia é começar falando de família, e não é à toa. Entendendo nossa origem, podemos entender melhor quem somos, e para onde vamos.

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